Adaptações e o fim da criatividade – Coluna de Seriados

Coluna de Seriados

Séries adaptadas dos quadrinhos aparecem entre as mais rentáveis produções do ano
Séries adaptadas dos quadrinhos aparecem entre as mais rentáveis produções do ano

Desde o início dessa década, o grande circuito de cinema comercial está dominado pelas adaptações. Seja a versão fílmica de grandes sagas fantásticas ou o novo filme de herói, os principais blockbusters, mês após mês, não têm roteiros originais.

Um pouco mais tardiamente,  essa onde chegou à TV. Os exemplos são exaustivos: “The Walking Dead”, “Arrow”, “Agents of Shield”, “Gotham”, “The Flash”, “Constantine”, “Agent Carter”, “I Zombie” e, pasmem, até um spinoff de “Walkin Dead” já foi encomendado. Isso sem falar de “Better Call Saul”, derivado de “Breaking Bad” que tem tudo para ser excelente, apesar de não ser uma ideia original.

E tem muito mais por vir. Só de novas séries de quadrinhos, ainda teremos “Supergirl”, “Demolidor”, “Jessica Jones”, “Punho de Ferro”, “Luke Cage”, “Defensores” e talvez uma “prequência” do “Homem de Aço”, em “Krypton”.

Já chega de exemplos? Tem mais!

Filmes e literatura

Na categoria dos filmes que ganharam as telas pequenas, as produções foram de um extremo a outro. “Fargo” foi a mais criativa e independente da fonte inspiradora, enquanto “Bates Motel” apresentou boas atuações e suspense interessante, vivendo na sombra do gênio de Hitchcock. “Dominion” soube expandir o universo da obra e entreteve. Já “12 Macacos” segue muito confusa e dificilmente vai se manter de pé.

Vindo da literatura, vimos “The Strain” e “Game of Thrones”, ambas sólidas e de competente transcrição de mídia. Já numa tênue linha entre livro e cinema, “Sherlock” e “Hannibal” fizeram primazia com personagens clássicos e batidos na cultura popular.

Criatividade

Muito sintomático da época é o caso de George Martin. Escritor consagrado pelas “Crônicas de Gelo e Fogo”, George tentou por muitos anos ganhar a vida como roteirista para os canais americanos. Mas, curiosamente, só foi ganhar destaque na TV quando escreveu uma saga literária que ganhou adaptação.

Mas há que se admitir: a prática não é nova. “Buffy”, “Highlander”, “Conan” e “Robocop” são exemplos dos executivos da TV em décadas passadas tentando se aproveitar de sucessos já solidificados. Porém, mesmo sendo consagrada pelo uso, essa é mesmo a melhor maneira de se fazer televisão?

É certo que a resposta é negativa. Os maiores sucessos da mídia em todos os tempos foram projetos originais. “The Sopranos”, “Lost” e “Breaking Bad” tiveram, sim, grandes inspirações em coisas já realizadas antes. Mas as três são exemplos de apostas feitas em cima de roteiros apresentados por mentes criativas.

Afinal, queremos o conforto do que já sabemos ou o desafio do que é misterioso?

Marco Faleiro é estudante de jornalismo e já tem mais de duas mil horas de seriados assistidos – marco.aurelio.faleiro@gmail.com

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