As mulheres de preto da Polícia Militar

Malba, Márcia e Daniella, as mulheres de preto, em frente à viatura da equipe | Foto: Guilherme Coelho
Malba, Márcia e Daniella, as mulheres de preto, em frente à viatura da equipe | Foto: Guilherme Coelho

Lembra de “Tropa de Elite”? No sucesso de bilheteria dirigido por José Padilha, o expectador é testemunha do extenuante curso para admissão no Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) do Rio de Janeiro, no qual poucos homens resistem até o fim. Mas seriam somente homens? Em Goiás, três mulheres testaram seus próprios limites, desafiaram o preconceito e hoje ostentam fardas pretas que invejam muitos policias experientes.

As soldados Daniella (30), Malba (29) e Márcia (26) são policiais militares formadas para policiamento especializado e atuam na 43ª Companhia Independente de Policiamento Especializado (43ª CIPM), em Aparecida de Goiânia. Diferente de policiais femininas em outros setores da Segurança Pública, elas estão constantemente nas ruas, participando de operações complicadas. Simpáticas, bonitas e, principalmente, competentes, as mulheres de preto metem medo na criminalidade da região.

majorCurso

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Segundo o ex-comandante da Companhia e um dos responsáveis por ministrar os cursos de admissão, o major Rodrigo Bispo, as mulheres não tiveram facilidade alguma em relação aos homens. “Geralmente, as mulheres fazem flexões com apoio dos joelhos, mas não elas, fizeram o treinamento exatamente como para o masculino”, disse o major, que se sente privilegiado por ter tido profissionais tão eficientes a seu serviço.

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Antes de chegar a esse posto de prestígio na PM, é preciso enfrentar longo treinamento, que inclui testes de técnica, força e muita, muita resistência. Percorrer distâncias carregando peso, sem se esquecer, é claro, da farda molhada e do coturno encharcado.

Para Márcia, as mulheres costumam se acomodar na posição que a sociedade impõe a elas, quando tudo não passa de uma questão de força de vontade e dedicação. Com as fardas negras impecáveis, elas parecem muito satisfeitas com a possibilidade de saírem às ruas para enfrentar a violência e, dessa forma, impactar positivamente na vida da comunidade. E Malba afirmou que aceita o desafio servir de exemplo para que mais “pfem” integrem as polícias especializadas e, talvez, também se tornem mulheres de preto.

Além disso, Daniella destacou que nem tudo é força física, sendo muito importantes a estratégia e a execução. “Existem métodos diferenciados de operação para equipes com mulheres, mas é bom destacar que elas participam de abordagens, perseguições e até troca de tiros com muita tranquilidade e perícia”, ressaltou o ex-comandante Rodrigo Bispo.

Resultados

Através de uma estratégia de aproximação com a população, a 43ª CIPM já demonstrou muitos resultados no combate ao crime. O próprio lote em que foi instalada a base da Companhia, em setembro de 2013, era antes uma escola abandonada. Desde a construção, o local deixou de ser um refúgio para usuários de droga e passou a ser referência na proteção da vizinhança.

Para os próprios policiais, boa parte dessa boa relação está em ações como a entrega de brinquedos às crianças nas ruas e o atendimento às queixas e necessidades da população, além da presença de mulheres nas equipes. Para o major Bispo, com uma longa carreira na Segurança Pública, policiamento comunitário é a chave para a tranquilidade. “A boa receptividade em meio à população é a melhor recompensa deste trabalho”, finalizou.

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