Atraso, lotação e descaso em linhas da região

Passageiros se revoltam com descaso em transportes públicos
Passageiros se revoltam com descaso em transportes públicos

Usuários de coletivos sofrem com o péssimo serviço prestado

Por Fernanda Kalaoun e Francisco Costa

No horário de verão, muitas pessoas saem de casa antes mesmo do sol nascer. Isso ocorre, pois os relógios estão 1h à frente do tradicional. Quem acordava às 6h, agora levanta às 5h. Entretanto, a empregada doméstica Maria José Paixão da Rocha, mesmo fora deste horário, tem de sair da cama com o céu ainda escuro. Isto, porque ela precisa estar no ponto de ônibus às 5h30, caso queira chegar pontualmente em seu trabalho, no Jardim América, às 8h.

Maria José mora no Setor Pontal Sul, em Aparecida de Goiânia, e faz este trajeto de segunda a sexta-feira há pelo menos cinco anos. Porém, para a empregada o pior não é sair de sua casa, mas retornar.

Segundo Maria José, a qualidade de serviço do transporte coletivo na região é péssimo. “Às vezes fico mais de 30 minutos no primeiro ponto. Dele vou para o Terminal da Praça A, pra o Cruzeiro e, por fim, para o Terminal Veiga Jardim. E de lá pego o quarto ônibus para minha casa”.

Sem hora para chegar

De acordo com a empregada, que sai do trabalho às 16h, não há pontualidade para chegar em casa. Mesmo antes do horário de pico, os ônibus estão lotados e Maria José nunca consegue ir sentada. “Pego o transporte inicialmente na C-1, Jardim América”, diz Maria, que se cansa mais pelo transporte do que pelo trabalho em si.

Para ela, o ideal seria que houvessem mais ônibus, pois considera a frota insuficiente. “O número atual é muito pouco. Seria bom se também pudesse pegar menos transportes coletivos”, diz e, ainda, ressalta outro problema. “R$ 2,80 é muito caro pela qualidade do serviço. R$ 2 seria o justo”.

Transtornos                             

A estudante Ligia Xavier Galvão Gomes mora no Setor Sudoeste e conta que já começa o dia com transtornos. “Para chegar no serviço na hora certa, preciso sair de casa 6h10 da manhã. Às 6h20 chego ao ponto e ao centro às 7h. Se perco o ônibus, ele só passa novamente no terminal por volta de 7h20 e chego uma hora atrasada em meu local de trabalho”, afirmou. Mas para a estudante, que utiliza o ônibus também para ir à noite para a faculdade, localizada no Setor Bueno, a situação é ainda mais complicada. “À noite é ainda pior. O terminal nunca tem segurança e nós, passageiros, sempre ficamos a mercê dos bandidos. Perdi as contas de quantas pessoas vi serem assaltadas e quantos arrastões presenciei”, desabafou.

A estudante conta que em dia de jogo do Goiás, os passageiros sofrem ainda mais, pois o 026 é o único ônibus do Terminal Bandeiras que dá acesso ao Estádio Serra Dourada.  “A situação fica insuportável. Geralmente, o ônibus demora quarenta minutos para sair do terminal. Quando tem jogo, eles interrompem a circulação pra que não haja depredação. A gente fica exposto, cercado por bandidos, sem ter como seguir destino ou voltar pra casa. Os marginais estão acostumados. Eles cercam o terminal, se espalham entre as filas de espera e impedem qualquer um de sair dali. A polícia, quando é acionada, comparece com uma viatura. O que são dois policiais no meio de trinta criminosos?”, questiona.

Descaso

Além da frota limitada e dos perigos nos quais os passageiros estão sujeitos, Ligia destaca o desconforto nos terminais e dentro dos veículos. “O Terminal Bandeiras ficou mal construído. Os problemas vão além de conforto. Falta estrutura básica. Pega sol e, quando chove, molha tudo por dentro”, disse. “Honestamente, os ônibus são sujos, os motoristas são mal educados e dirigem como se quisessem realmente machucar os passageiros. O problema é de descaso” afirma a estudante.

Assim como a maioria dos usuários, Ligia sonha em ter carro próprio para não depender mais dos serviços de transporte coletivo. “Sou a favor de um trânsito melhor. Não pensava em ter carro, mas depois que passei a depender do transporte público, desisti. Pretendo sair dessa vida. Pagamos caro, R$2,80, e ainda somos tratados pior que bicho”, indigna-se.

O Jornal Folha Z tentou contato com a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) por telefone e e-mail durante o mês de maio, quando se realizou a apuração desta matéria. Entretanto, a assessoria de imprensa do órgão sequer nos atendeu nesses meios. O canal continua aberto, caso a CMTC queira se manifestar sobre o assunto.

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