Você saberia dizer quais foram os crime que chocaram Goiânia?

Como toda grande cidade, a Capital teve ao longo dos seus mais de 80 anos de existência várias histórias de superação, solidariedade e sucesso.

No entanto, casos de violência e dor marcaram a vida dos goianienses e estarão para sempre na memória coletiva da metrópole.

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O Folha Z selecionou alguns desses crimes chocantes. Na lista, tem famoso, pessoas desconhecidas e histórias que emocionaram o Estado e o País.


Sequestro do irmão de Zezé e Luciano (1998)

Wellington Camargo ficou em cativeiro por mais de três meses até ser libertado pelos sequestradores. Caso está entre os crimes que chocaram Goiânia em toda a sua história | Foto: Ed Ferreira/AE/VEJA
Wellington Camargo ficou em cativeiro por mais de três meses até ser libertado pelos sequestradores. Caso está entre os crimes que chocaram Goiânia em toda a sua história | Foto: Ed Ferreira/AE/VEJA

Cadeirante e cantor gospel, o irmão de Zezé e Luciano Wellington Camargo ficou 94 dias em cativeiro. Ele foi sequestrado em sua casa no Jardim Europa por quatro homens armados em dezembro de 1998.

Assim, ele passou os três meses em uma chácara a 23 km de Goiânia.

Os sequestradores chegaram a enviar a uma emissora de televisão um pedaço da orelha de Wellington e um bilhete, pedindo 300 mil dólares de resgate.

Logo após exames confirmarem que a orelha era mesmo da vítima, o valor acabou sendo pago.

No dia seguinte, Wellington foi deixado pelos sequestradores dentro de um buraco numa região entre Goiânia e Guapó.

Em seguida, dez pessoas foram presas por envolvimento no crime.

Relembre o caso no programa especial feito pelo Linha Direta:

Mas a história ainda não tinha chegado ainda a um desfecho.

Apontado como o homem que cortou a orelha de Wellington no cativeiro, Osmar Martins foi assassinado na Penitenciária da Papuda, em Brasília, em setembro de 2000.

Já em setembro de 2018, outro dos sequestradores, Ozélio de Oliveira, fugiu da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), em Curitiba (PR), onde cumpria pena.

Ele e outros 28 detentos fugiram após criminosos fortemente armados explodirem um muro da penitenciária durante uma madrugada.

De acordo com o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen-PR), Ozélio foi condenado a mais de 108 anos de prisão por crimes como roubo, homicídio, além do sequestro de Wellington.

Agora, Ozélio continua foragido.


Lucélia: a menina torturada (2008)

Lucélia Rodrigues casou-se e diz não guardar mágoas | Foto: Reprodução
Lucélia Rodrigues casou-se e diz não guardar mágoas | Foto: Reprodução

Uma denúncia anônima levou a polícia à menina Lucélia da Silva em março de 2008. Aos 12 anos, ela foi encontrada acorrentada em uma escada, amordaçada e ferida.

Vítima de maus-tratos, ela estava no apartamento da empresária Silvia Calabresi, no Setor Marista.

A delegada que cuidou do caso foi Adriana Accorsi, que depois se tornaria deputada estadual em Goiás.

Reveja o momento do resgate de Lucélia no vídeo abaixo:

Segundo a investigação, a polícia determinou que a  empresária criava a jovem com autorização da mãe biológica, uma adoção irregular.

Mas, em vez de dar-lhe os cuidados básicos, a feria com alicate nos dedos das mãos e dos pés, na língua e no corpo.

Além disso, a mulher também apertava os dedos da criança em portas e a queimava com ferro de passar roupa.

Entre os crimes que chocaram Goiânia, esse ficou marcado no imaginário coletivo da população pela crueldade da autora.

Em seguida, Sílvia e sua empregada, Vanice Novais, foram presas e condenadas a 14 e 7 anos de prisão, respectivamente.

No entanto, em 2014, a empresária conseguiu o benefício de progressão de pena e foi transferida para o regime semiaberto.

Já Lucélia continuou os estudos e almeja ser delegada. Em 2015, casou-se e diz ter perdoado Sílvia.


Valério Luiz: executado (2012)

Valério Luiz foi alvejado assim que saía do trabalho | Foto: Reprodução
Valério Luiz foi alvejado assim que saía do trabalho | Foto: Reprodução

Uma caminhada realizada em Goiânia em de julho de 2017 relembrou os cinco anos do assassinato do cronista esportivo e jornalista Valério Luiz.

Ele foi alvejado por vários tiros na porta da Rádio Bandeirantes 820, no Setor Serrinha, em Goiânia, local em que trabalhava.

Em seguida, o cartorário Maurício Sampaio e outras quatro pessoas foram acusados pelo crime.

De acordo com a denúncia, o crime teria sido motivado pelas críticas que o jornalista fazia à diretoria do Atlético Goianiense, clube gerido por Sampaio.

“Nos filmes, quando o barco está afundando os ratos são os primeiros a pular fora.” Essa foi uma das mais famosas críticas de Valério em referência ao Atlético. Veja abaixo.

Em 2018, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski determinou que o caso fosse a júri popular.

“A depender da consistência das provas, eu não tenho dúvida de que eles devem ser condenados pelo júri quando o julgamento acontecer”, defende o filho do jornalista, Valério Luiz Filho.

No entanto, Maurício Samapaio segue em liberdade e ocupa a cadeira de presidente do Atlético Goianiense.

Um dos desenrolares deste caso, que foi um crimes que chocaram Goiânia, foi a eleição do pai de Valério, Mané Oliveira, a deputado estadual.


Filha de deputado assassinada na T-63 (2012)

Vítima de latrocínio no Setor Nova Suíça, em Goiânia, morte de Michelle Muniz é um dos crimes que chocaram Goiânia | Foto: Arquivo Pessoal
Vítima de latrocínio no Setor Nova Suíça, em Goiânia, morte de Michelle Muniz é um dos crimes que chocaram Goiânia | Foto: Arquivo Pessoal

Michelle Muniz foi assassinada em 2012 em frente a uma distribuidora de bebidas na Avenida T-63, no Setor Nova Suíça. Ela era filha do ex-deputado Luiz do Carmo (MDB-GO).

Cinco homens foram condenados por participação no crime.

Por ter emprestado a arma usada na ação, Michel Castro de Jesus teve pena de 3 anos e 6 meses de reclusão. A pena foi substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de dois salários mínimos a entidade filantrópica

Enquanto isso, os outros quatro envolvidos diretamente na tentativa de assalto foram condenados por latrocínio – roubo seguido de morte -, mesmo não tendo levado o carro.

Assim, Johnatan Rosa de Souza, autor do disparo que vitimou Michelle, pegou 27 anos e 6 meses de prisão em regime fechado.

Diogo Souza Pinheiro recebeu condenação de 23 anos e 6 meses de reclusão; Wesley Veríssimo dos Santos e Luan Henrique Silva Neto, a 24 anos de prisão.

Ex-cabo do Exército, Luan foi morto em maio de 2018 com vários tiros no Jardim Bela Vista.

Ocupantes de um HB20 teriam atirado mais de 30 vezes com um fuzil calibre .556 e uma pistola calibre .9 mm.

Ele era monitorado com tornozeleira eletrônica e cumpria pena em regime aberto.

“Estou aliviado em saber que nenhuma pessoa será mais vítima desse homem, que era uma má pessoa”, comentou Luiz do Carmo após o homicídio.


Mulher mata filha recém-nascida e guarda restos mortais (2016)

Professora de matemática confessou ter matado a filha recém-nascida | Foto: Aline Caetano / TJGO
Professora de matemática confessou ter matado a filha recém-nascida | Foto: Aline Caetano / TJGO

A professora de matemática Márcia Zaccarelli Bersaneti, de 38 anos, confessou em 2016 ter matado por asfixia a filha recém-nascida.

O caso foi descoberto quando o ex-marido da mulher foi ao apartamento na Rua T-62 com a Rua T-38, no Setor Bueno, e encontrou uma caixa com os restos mortais do bebê em escaninho na garagem do prédio.

De acordo com vídeo divulgado pela Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), Márcia confessou o crime e contou como agiu assim que saiu do hospital após o parto.

“Fiquei andando, sem saber o que fazer. Falei para a minha filha que não ia dar ela para ninguém. Fiquei com medo. Receio da minha filha mais velha ter uma enorme decepção comigo. Sou uma excelente mãe”, declarou.

Mas Márcia mudou a versão várias vezes ao decorrer do processo.

Até mesmo durante o júri popular que, em agosto de 2018, condenou Márcia Zaccarelli a 18 anos e 8 meses de cadeia.

No julgamento, ela chegou a dizer que a morte da bebê foi acidental.

Além disso, Márcia declarou que foi o ex-marido o responsável por esconder o corpo.

A delegada Ana Cláudia Stoffel, descartou a hipótese depressão pós-parto. “Foi premeditado porque ela não fez pré-natal, não fez enxoval e foi com a roupa do corpo para o hospital”, disse.

Já para os jurados, a professora é culpada pelo crime. Para eles, ela agiu com frieza e crueldade tampando o nariz da própria filha recém-nascida até a morte.

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