Juiz usa ajuda financeira da população e faz presos construírem celas em Goiás

Detentos de Araxá (MG) trabalham em obras do Hospital Casa do Caminho | Foto: Ilutrativa/Seds
Detentos de Araxá (MG) trabalham em obras do Hospital Casa do Caminho | Foto: Ilutrativa/Seds

Preocupado com o estado deficitário do sistema carcerário goiano, um juiz de Quirinópolis iniciou esforços para iniciar a construção de novas celas na cidade. E detalhe: com ajuda financeira da população e com a força de trabalho dos próprios detentos.

Juiz da Execução Penal da comarca de Quirinópolis, Felipe Morais Barbosa angariou apoio do Conselho da Comunidade local e planejou a construção de celas com tamanhos reduzidos para abrigar os presos de maior periculosidade dentro do sistema. A nova estrutura, ao contrário das demais celas do estabelecimento carcerário local, terá a capacidade para abarcar tão somente três detentos, número este que será rigorosamente respeitado, segundo o magistrado.

Juiz tomou a frente da construção de nova carceragem em Quirinópolis | Foto: Divulgação/TJGO
Juiz tomou a frente da construção de nova carceragem em Quirinópolis | Foto: Divulgação/TJGO

“O objetivo é isolar as denominadas lideranças do sistema penitenciário, que, além de angariarem novos colegas para as futuras empreitadas criminosas, continuam a praticar crimes de dentro do estabelecimento prisional”, frisou Felipe Morais.

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Detentos trabalhando

De acordo com o juiz, a nova estrutura é construída inteira pelos próprios detentos, “desde a elaboração dos blocos de tijolo à efetiva construção das celas”. “Nos próximos dias, a Execução de Quirinópolis, em parceria com o Conselho da Comunidade e a Fundação de Apoio ao Menor – Nova Era, também contará com uma confecção, que funcionará dentro do estabelecimento prisional. A estrutura física já fora construída pelos próprios detentos. As máquinas e o treinamento dos detentos ficarão a cargo de uma ONG local”, completou.

Os uniformes confeccionados no local serão, a princípio, utilizados pela própria população carcerária. Posteriormente, porém, o material também será comercializado. Segundo o magistrado, “grande parte dos materiais ilícitos apreendidos dentro dos presídios são oriundos de roupas levadas pelos familiares para os detentos. O número reduzido de servidores impede uma revista minuciosa”.

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