Fuja da casa própria! – O Investidor

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Para analista, o sonho da casa própria deve ser reavaliado (Foto: Ilustrativa)
Para analista, o sonho da casa própria deve ser reavaliado (Foto: Ilustrativa)

Um novo ano começou e com ele a esperança de realizar sonhos que não foram realizados em 2015. A maioria deles são bem conhecidos de todos nós.  Abrir o próprio negócio, trocar de carro e, é claro, comprar a tão sonhada casa própria.

Desde a época das cavernas, o ser humano possui a necessidade de ter um abrigo. Foi devido a esse refúgio que nossos ancestrais conseguiram escapar das intempéries e dos animais selvagens. Alguns milhares de anos se passaram e nosso desejo por abrigo permanece mais vivo do que nunca.

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Não por acaso, muitos brasileiros fazem um esforço hercúleo para ter um lar que possam chamar de seu. Mas será que ter a casa própria é realmente tão importante assim? Um dos principais motivos alegados por quem quer adquirir a casa própria é: “pagar aluguel é jogar dinheiro fora!” Será mesmo?

Aluguel

Quando se mora de aluguel, você paga um valor percentualmente muito pequeno para o dono do imóvel, em troca de poder usufruí-lo. As pessoas costumam achar os aluguéis caros pelo simples fato de calcularem os valores em termos absolutos e não percentuais.

Se você mora em uma casa que vale R$400 mil e paga R$1,5 mil de aluguel, você está remunerando o proprietário a uma taxa de 0,37% ao mês, menor até do que a poupança. Muito pouco, não? O problema é que a maioria das pessoas procuram imóveis cujo aluguel é superior a sua disponibilidade de pagamento. Assim, não importa se o valor pago é R$500 ou R$5 mil, ao fim do mês, vai faltar dinheiro para fechar a conta.

Você gostaria de receber menos do que a poupança te paga para emprestar seu dinheiro para alguém? Não, né? Então como você pode achar caro pagar isso ao proprietário do imóvel em que vive?

Casar com o financiamento

Outro fator que precisamos entender é que ao comprar a casa própria, você irá se casar com um financiamento bancário. E, diferentemente do que acontece na maioria dos relacionamentos, esse irá durar décadas. Você carregará uma dívida por toda a sua vida!

Ao longo de todo esse tempo, você estará pagando juros, e como vivemos no país com a maior taxa de juros do mundo, isso significa que esse casamento custará muito caro para você. Afirmo, sem medo de errar que: ao patamar de juros que temos atualmente, chega a ser proibitivo o financiamento imobiliário.

Sei o que você deve estar pensando: “Mas é melhor eu pagar R$1 mil por mês para pagar algo que é meu do que rasgar R$700 em aluguel, certo?” Errado! Por dois motivos. O primeiro é que só será seu depois que você efetivamente quitar, ou seja, daqui a vinte, trinta, trinta e cinco anos. E o segundo motivo e, talvez até mais importante, é que essa diferença de R$300 que pode parecer pouco, não é!

Retorno

Imagine que, ao invés de comprar o imóvel novo e pagar R$1 mil de prestação você decida continuar pagando seu aluguel de R$700, porém vai economizar R$300 todo mês para investir o dinheiro. Sabe quanto você teria após trinta anos, com uma rentabilidade de apenas 1% ao mês? R$1.048.489,24. Nada mal, hein?

Antes de comprar a casa própria, pense duas vezes! Por mais paradoxal que possa parecer, morar de aluguel pode ser uma excelente maneira de enriquecer.

Samuel Magalhães é Consultor Financeiro, Palestrante, fundador do Portal www.invistafacil.com e do instagram @oinvestidor

 

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