Guerra de egos no PSDB – JOGO LIMPO com Rodrigo Czepak

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Delegado Waldir criticou Marconi e o próprio PSDB publicamente em diversas ocasiões (Foto: Mongagem)
Delegado Waldir criticou Marconi e o próprio PSDB publicamente em diversas ocasiões (Foto: Mongagem)

Guerra de egos no PSDB

O delegado Waldir Soares é o personagem das últimas horas na política regional por anunciar oficialmente o que muitos já esperavam há meses: a sua saída do PSDB, o partido cujo coronel é o governador Marconi Perillo. Não há outra definição nesses casos. Os tucanos ganharam musculatura no poder em Goiás bombardeando o coronelismo e a truculência de Iris Rezende no PMDB, a falta de espaço para novos nomes. Hoje o rótulo encaixa naturalmente no governador de quatro mandatos, o homem público que não aceita ser contrariado.

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Fenômeno e fracasso

O deputado federal Waldir Soares, diga-se de passagem, também contribuiu para ampliar a birra de Marconi Perillo contra sua pessoa. Sempre agiu como político independente, dono absoluto dos 274 mil 625 votos, e candidato imbatível à Prefeitura de Goiânia. Está pagando um alto preço por não ter papas na língua, sempre criticando quem ousasse passar na sua frente. O delegado, não se discute, foi o maior fenômeno eleitoral em 2014, todavia se revelou um fracasso em dois aspectos básicos da vida pública: aglutinação e articulação.

O virtual e o real

Onde já se viu um político declarar em alto e bom som: “Não sou partidário”. Como se não dependesse de uma legenda para alcançar seus objetivos. Por se considerar o rei das redes sociais, Waldir talvez imagine que será eleito num pleito virtual. “Estou sendo rifado porque faço política pelo cidadão”, argumenta. O discurso não convence nem mesmo os milhares de eleitores que sonhavam com mudanças bruscas na área da segurança pública, a principal bandeira do deputado. A realidade, cedo ou tarde, dá de goleada na teoria.

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Lição da política

A convivência entre Marconi e Waldir até que durou muito. Ambos se julgam predestinados: o primeiro à Presidência da República e o segundo ao Palácio das Esmeraldas. Como o PSDB é pequeno demais para tamanha guerra de egos, sobrou para o lado mais fraco. O delegado-deputado não está liquidado politicamente, muito pelo contrário, mas precisa aprender a arte de “ciscar pra dentro”. Caso contrário, o fenômeno Waldir Soares voltará, em breve, a gritar apenas com bandidos nas delegacias da vida.

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