João de Deus ou João de Faria? O “poderoso” não baixa a guarda

A intensidade da derrocada está sendo proporcional ao tamanho da ascensão e do poder

O empresário João Teixeira de Faria, 77 anos, vulgo João de Deus, não tem nenhuma doença grave e pode continuar cumprindo a sua pena na prisão.

O diagnóstico da equipe médica composta por clínicos e psiquiatras, designada pelo Tribunal de Justiça, encerrou uma novela que se arrastava por 10 meses.

Esqueça todas as imagens de um idoso debilitado sobre a maca, alegando que “iria morrer”, nos dias de depoimento, consulta médica ou internação.

João de Faria jamais deixou de pensar e agir como a celebridade que mandava prender e soltar na pacata Abadiânia.

Seu império de atrocidades desmoronou, é verdade, mas ele nunca demonstrou um pingo de arrependimento pelo estrago causado na vida de centenas de mulheres.

Derrocada

Conheci o famoso João de Deus na década de 1980, acompanhando as cirurgias mediúnicas pelo jornal “Diário da Manhã”. Havia algo no ar – e não era apenas avião de carreira.

Empresário João Teixeira de Faria, 77 anos, vulgo João de Deus, não tem nenhuma doença grave e pode continuar cumprindo a sua pena na prisão | Foto: Reprodução / TV Anhanguera
Empresário João Teixeira de Faria, 77 anos, vulgo João de Deus, não tem nenhuma doença grave e pode continuar cumprindo a sua pena na prisão | Foto: Reprodução / TV Anhanguera

O clima “mágico e de encantamento” na Casa Dom Inácio de Loyola não conseguia esconder as conversas ao pé do ouvido dos colaboradores, as salas fechadas para uso restrito do empresário. Quem poderia imaginar o que ali acontecia?

Os anos se passaram e comecei a ouvir inúmeros relatos sobre o excesso de poder que João Faria desfrutava no município.

Se Abadiânia já estava dominada, Goiás, Brasil e o mundo ficaram pequenos para a vaidade e o apetite financeiro do matuto nascido em Cachoeira de Goiás (GO).

Perdão

A intensidade da derrocada está sendo proporcional ao tamanho da ascensão. Pense nisso quando enxergar, com excessiva pena, o empresário que alega inocência e desabafa: “Eu sei que Deus vai me olhar”.

Tenha certeza que Ele está olhando, João de Faria! Observa, atento, o seu pedido para sair do regime fechado por estar enfrentando dores, desmaios, câncer no estômago e transtornos mentais. Sintomas que os médicos procuram, mas não acham.

Quem sabe um sincero gesto de arrependimento, acompanhado do pedido de perdão a tantas vítimas de abusos sexuais, não faça a diferença entre ser ou não enxergado na escuridão?

Os 9 processos em que figura como réu, até o momento, e a incômoda cela no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia não foram suficientes para baixar a guarda de quem ainda se considera o “poderoso” João de Deus.

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