Relembre Leonardo Pareja: de sequestros e rebeliões à morte sem fama

Psicopata-galã ganhou fama nacional ao zombar da polícia e se comparar a Robin Hood

Leonardo Pareja ficou famoso na década de 1990 | Foto: Reprodução
Leonardo Pareja ficou famoso na década de 1990 | Foto: Reprodução

Por Rodrigo Czepak

Já se passaram duas décadas e a história do bandido ousado e sedutor permanece mais atual do que nunca.

Leonardo Rodrigues Pareja, à época com 22 anos, se transformou em celebridade nacional do crime por abusar do deboche e da ironia em todas as circunstâncias.

“Não sou super bandido, mas certamente sou mais inteligente do que a polícia”

Comandou sequestro, assalto e até rebelião no antigo Cepaigo sem nunca perder as características de psicopata manipulador que transformava boa parcela de suas vítimas em fãs excitados.

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“Eu não existiria se não fosse o perigo”, declarava aos repórteres. “Não sou super bandido, mas certamente sou mais inteligente do que a polícia”, complementava com sorriso sarcástico.

A adrenalina de Pareja durou pouco mais de um ano: de setembro de 1995 a dezembro de 1996.

Nesse curto espaço de tempo ele assaltou um hotel em Feira de Santana (BA) e conseguiu a façanha de manter uma garota de 16 anos como refém por três dias.

Detalhe: ela era sobrinha de Antônio Carlos Magalhães (ACM), o todo-poderoso baiano da época.

Fotos da época registraram sequestro da sobrinha de Antônio Carlos Magalhães (ACM) por Leonardo Pareja | Fotos: Arquivo do jornalista Adilson Simas
Fotos da época registraram sequestro da sobrinha de Antônio Carlos Magalhães (ACM) por Leonardo Pareja | Fotos: Arquivo do jornalista Adilson Simas

Passando por três Estados, Pareja deu entrevistas e brincou de cão e gato com a polícia até se entregar um mês depois. Ele adorava flertar com o perigo, zombar de quem o caçava.

“Eu sou humano com quem é humano e sou cruel com quem é cruel”, avisava às vítimas logo no primeiro contato.

Essa era a personalidade de um jovem bonito, cara de galã, e que havia estudado inglês, espanhol, violão, piano e programação de computadores.

Virou bandido por causa da índole e não por influência ou necessidade.

Leonardo Pareja no Cepaigo

O episódio mais emblemático envolvendo Leonardo Pareja foi a rebelião de presos ocorrida no Centro Penitenciário de Goiás (Cepaigo), em Aparecida de Goiânia.

Ele e mais 43 detentos aproveitaram o vacilo de autoridades que vistoriavam o local e as fizeram reféns por seis dias.

Um grupo seleto de coronéis da PM, delegados, promotores e até mesmo o presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, desembargador Homero Sabino de Freitas.

Momentos da rebelião e a saída dos bandidos foram transmitidos ao vivo em rede nacional, projeção que aumentou o interesse em Pareja, o criminoso que tocava violão e exibia o corpo.

Veja detalhes do ocorrido no vídeo:

A fuga

O desfecho da rebelião revelou um Pareja mais abusado do que nunca: parou o Fiat/Tempra com reféns num bar de Goiânia, deu autógrafos, comprou cigarros e bebidas.

Não satisfeito, pagou a rodada de cerveja para os clientes com nota de R$ 50 dos R$ 100 mil reais recebidos na fuga.

Um dia depois foi recapturado pela polícia num posto de combustíveis em Porangatu, região norte.

A inteligência, a beleza e o sarcasmo de Leonardo Pareja estavam com os dias contados.

“Não me considero um Robin Hood, mas confesso que me identifico com ele”

Pareja era o líder e porta-voz dos presos rebelados no Cepaigo | Foto: Reprodução / TV Anhanguera
Pareja era o líder e porta-voz dos presos rebelados no Cepaigo | Foto: Reprodução / TV Anhanguera

Em dezembro de 1996, ele foi assassinado por cinco colegas de presídio sob a justificativa de ter contado à direção sobre um plano de fuga.

Há controvérsia sobre essa versão, mas a realidade é que Pareja brilhou, criou modismos e terminou morto como um bandido qualquer.

Os cinco assassinos foram condenados em 2015 a 45 anos e 6 meses de reclusão.

A história de Pareja virou documentário, sucesso de crítica.

E uma frase reflete bem a mistura de narcisismo e egocentrismo que dominava a sua personalidade: “Eu sou um herói dos presos, gente que foi humilhada e maltratada pela polícia. Não me considero um Robin Hood, mas confesso que me identifico com ele”.

Um bandido de história excitante e fim melancólico.

Confira cenas da trajetória do criminoso no documentário de Régis Farias:

Desfecho da história de Pareja

Em abril de 2015, portanto mais de 18 anos depois, a Justiça condenou os cinco réus acusados pela morte de Leonardo Pareja no antigo Cepaigo.

A pena é de 45 anos e 6 meses de reclusão em regime inicialmente fechado.

Pareja foi executado em dezembro de 1996, nove meses depois da rebelião, por Eduardo Rodrigues Siqueira, o Pigmeu, Eurípedes Dutra Siqueira, José Carlos dos Santos, Ivan Cassiano da Costa e Raimundo Pereira do Carmo Filho.

Eles teriam planejado a morte de Pareja porque ele entregou à direção do presídio um túnel que seria usado em uma possível fuga dos condenados.

No dia do crime, munidos de lâminas, facas e uma pistola calibre 45, Eurípedes Dutra desferiu um tapa no rosto de Pareja e disparou cinco vezes contra a vítima.

Eles mataram outros três presidiários antes de se entregaram aos policiais.

Penitenciária Odenir Guimarães (POG) | Foto: Reprodução
Penitenciária Odenir Guimarães (POG) | Foto: Reprodução
Um dos também condenados foi assassinado 

Eduardo Rodrigues Siqueira, condenado pela morte de Leonardo Pareja, foi assassinado no dia 23 de outubro de 2018 na Penitenciária Odenir Guimarães (POG) em Aparecida de Goiânia.

Segundo a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP), ele foi perfurado por outros detentos com um “chucho”.

Por meio de nota, a DGAP relatou que Eduardo voltava do banho de sol quando foi atacado por outros três detentos.

Os agressores foram imobilizados por agentes de segurança.

Encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa), Eduardo “não resistiu aos ferimentos e foi a óbito”.

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