‘Minha família precisa da força do meu trabalho para sobreviver´, relata mulher sequestrada e torturada no caso da pamonharia do Jardim América

Marizete se econtra no Hugo em estado grave / Foto: divulgação
Marizete se econtra no Hugo em estado grave / Foto: divulgação

Polícia Militar (PM) concede detalhes exclusivos ao Folha Z Online sobre o caso que chocou Goiânia nesta segunda-feira, 30. Marizete de Fátima Machado, de 53 anos, levou cinco tiros e teve 50% do corpo queimado em sequestro realizado por Sueide e seu filho, Wilian, que se encontra foragido.

A PM recebeu a informação de que um casal teria abordado Marizete e a levado à força em uma caminhoneta S10 de cor prata. Duas horas e meia depois, a equipe de inteligência da 9ª Companhia Independente de Polícia Militar (9ª CIPM), composta pelos soldados Presley e Coimbra,  recebeu uma ligação do senhor Pereira, dono da pamonharia que Marizete trabalhava. O comerciante informou que sua funcionária teria pedido para um borracheiro ligar para ele relatando o acontecido.

Marizete informou que foi sequestrada e torturada. Depois de os autores do crime efetuarem vários disparos de arma de fogo, com ela agonizando e pedindo por clemência, jogaram álcool em seu corpo e atearam fogo. Pensando que Marizete tinha morrido, os criminosos a deixaram queimando.

Estrada que Marizete teve que caminhar depois de ter o corpo queimado / Foto: Reprodução TV Globo
Estrada que Marizete teve que caminhar depois de ter o corpo queimado / Foto: Reprodução TV Globo

Sobrevivência

O serviço de inteligência da PM relatou que Marizete ainda em chamas se aproveitou da pastagem molhada pela chuva e saiu rolando no capim, conseguindo apagar o fogo em seu corpo. Ela andou 2km em direção às luzes que via do povoado da zona rural Vila Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Abadia de Goiás, onde conseguiu ajuda.

A vítima disse à polícia como conseguiu tal feito: “tirei forças apenas da vontade de sobrevivência, pois tem um propósito e destino traçado por Deus, e por ter uma família que precisa da força e do meu trabalho para sobreviver”.

Prisão

Os moradores da vila acionaram a PM, bombeiros e o Samu, que prestaram os primeiros socorros à Marizete. Os soldados Viana e Lima, do 22º Batalhão, perguntaram à vítima quem tentou matá-la, e mesmo com muita dificuldade ela disse que os autores eram Wilian e Sueide (conhecida como Tatá), vizinhos de serviço.

Comerciante de 55 anos foi presa suspeita de cometer o crime / Foto: Reprodução TV Anhanguera
Comerciante de 55 anos foi presa suspeita de
cometer o crime / Foto: Reprodução TV Anhanguera

Por volta das 3h, Sueide chegou em casa de táxi. A PM fazia campana no local e deu voz de prisão. Seu filho Wilian Silva segue foragido. A criminosa disse à polícia que o motivo do crime era que sua mãe era vítima dos concorrentes, que ficava dentro de casa “morrendo de vergonha”, e que a culpa era de Marizete, a principal cozinheira da pamonharia concorrente.

Sueide foi autuada em flagrante por homicídio triplamente qualificado. O crime teve motivo fútil, não ofereceu nenhum tipo de defesa à vítima e usou requintes de crueldade, ateando fogo depois de balear Marizete.

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