“Não Paro de Beber”: até morrer – ou matar

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

O acidente aconteceu por volta das 6 da manhã / Foto: Folha Z
O acidente aconteceu por volta das 6 da manhã / Foto: Folha Z

Bebendo até morrer – ou matar

As tragédias se repetem em Goiânia. Um dia na avenida 85 (Setor Bueno), outro dia na avenida Feira de Santana (Parque Amazônia). Sempre o mesmo cenário: motoristas bêbados, em alta velocidade, tirando a vida de motociclistas indefesos. Você já ouviu reiteradas vezes que o problema é cultural, que as leis são amenas para a gravidade do crime cometido e que, por isso, ainda reina a impunidade.

Sem limite

Alguns fatores, entretanto, colaboram para ampliar os estragos da combinação explosiva entre álcool e volante. Uma delas, sem dúvida, reside na ausência de limite em grande parte das letras de músicas que fazem a cabeça do público jovem em todo o país. São as tradicionais “canções-chiclete”, famosas pelo refrão que não sai da cabeça e pelo vazio no conteúdo.

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Só pelo prazer

Basta ligar o rádio, a tevê, o DVD e as expressões são as mesmas: “beber até cair”, “é bebedeira, é bebedeira” e “saideira que não tem fim”. No passado o compositor cumpria o seu papel de retratar o clima de sofrência em torno de um amor não correspondido ou mesmo pela traição que atormentava, mas hoje em dia nem motivo é mais necessário.

Tragédias

Um exemplo clássico é a música “Não Paro de Beber”, escrita e interpretada pelo sertanejo-pop Gusttavo Lima. Quem a escuta até o final consegue compreender porque são cada vez maiores as estatísticas de coma alcoólico e acidentes trágicos nas pequenas, médias e grandes cidades. Só há dois caminhos para quem não consegue parar de beber: ou encomenda a própria morte ou mata o semelhante. A ausência de limite não poupa ninguém.     

Não Paro de Beber

Gusttavo Lima

Eu vou morrer, eu vou morrer
Eu vou morrer mas eu não paro de beber
Eu vou morrer, eu vou morrer
Eu vou morrer mas eu não paro de beber

De porre, muito louco fui parar no hospital
O médico falou que eu tava muito mal
Disse que se eu continuasse a beber ia morrer

Aí eu decidi que eu ia parar
Que nunca mais uma gota de álcool ia tomar
No primeiro teste na balada
Quando eu vi o amarelinho com gelo
Eu não resisti, bebi

Eu vou morrer, eu vou morrer
Eu vou morrer mas eu não paro de beber
Eu vou morrer, eu vou morrer
Eu vou morrer mas eu não paro de beber

É mais forte que eu
Não consigo controlar
Nem tomando antibiótico eu consigo parar

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