O caldeirão de Cunha e Dilma (Relembre) – Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

De aliados na eleição do quarto mandato petista, Cunha e Dilma se tornaram grandes opositores (Foto: Reprodução)

A análise é de julho de 2015, portanto há 10 meses. Entre idas e vindas, a cabeça de Dilma vai rolar primeiro, enquanto a de Cunha permanece na berlinda. Sem a fragilidade política da petista a escorá-lo, quanto tempo vai durar a empáfia do presidente da Câmara dos Deputados?

O caldeirão de Cunha e Dilma

Bingo! Aconteceu o que já se previa nos bastidores: Eduardo Cunha oficializou o rompimento de uma parceria com o Governo Dilma que nunca existiu na prática. E os dois têm culpa no cartório pela prepotência que sempre manifestaram nas articulações políticas. O enrolado Cunha e a despreparada Dilma jamais se respeitaram pra valer e, a permanecer o clima de tensão em Brasília, podem morrer abraçados.

Investigado na Operação Lava Jato por suposto recebimento de propina no valor de US$ 5 milhões, Eduardo Cunha merece uma análise mais detalhada. Sua eleição para a presidência da Câmara dos Deputados foi marcada por fatos que, literalmente, lhe subiram à cabeça. O fato de ter derrotado a precária articulação do ministro Aloizio Mercadante não era suficiente para alçar dois degraus na escala de importância na capital federal.

A força de Cunha sempre foi proporcional à fraqueza de Dilma. Lula tentou equilibrar as diferenças, contudo foi um esforço em vão. Michel Temer também tentou fazer a sua parte e para isso foi obrigado a engolir alguns sapos no governo e no PMDB. Outros também tentaram, mas a queda pelo enfrentamento falou mais alto.

Um observador atento chegou a notar no semblante de Cunha algumas semelhanças com a fisionomia de dois ex-senadores com ascensão meteórica no Congresso Nacional: Luiz Estevão e Demóstenes Torres. Sabe aquele olhar de poder, determinação e autosuficiência? Foi exatamente esse ar superior que levou o presidente da Câmara a travar intensas batalhas com seus colegas em plenário, com a imprensa e com servidores da Casa.

A política exige que o chefe de poder seja temido, porém Eduardo Cunha superou todos os limites no primeiro semestre da atual legislatura. Considerou-se acima do bem e do mal e agora atira pra todo lado com o objetivo de fragilizar seus adversários. Já não é tão mais simples assim. Hoje existe uma série de fatores em jogo. Cresceu, e muito, o grupo de desafetos e inimigos do deputado do PMDB. E o seu partido não tem o hábito de se sacrificar por ninguém, muito menos por alguém que cria tantas arestas.

Em uma recente reunião de parlamentares na Câmara para discutir a crise entre Legislativo e Executivo, um dos presentes se saiu com essa: “Não percam o tempo de vocês. Brasília é pequena demais para o ego do Eduardo (Cunha) e da Dilma (Rousseff)”. Quem imaginava que haveria um vencedor nessa disputa talvez dê de cara com dois perdedores por total excesso de arrogância política.

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