“Orphan Black” e “Mad Men” ou o chato prolixo e a brilhante simplicidade – Coluna de Seriados

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“Orphan Black” 

"Orphan Black" e "Mad Men", entre as maiores produções da BBC e AMC, respectivamente (Foto: Divulgação)
“Orphan Black” e “Mad Men”, entre as maiores produções da BBC e AMC, respectivamente (Foto: Divulgação)

A ficção científica mais aclamada pela crítica nos últimos anos retornou para seu terceiro ano. “Orphan Black”, que em outras ocasiões já surpreendeu e contagiou por causa da fantástica capacidade cênica da atriz principal (Tatiana Maslany), agora caiu num lugar comum de onde dificilmente conseguirá escapar.

A trama cada vez mais mirabolante e confusa tem imenso potencial de afastar o grande público. Vide “Fringe”, que, apesar de maior qualidade de roteiro, também perdeu parte considerável da audiência nos anos finais devido à complexidade dos arcos. E outro exemplo é “Lost”, que enfureceu muitos fãs quando insistia em trazer mais perguntas ao invés de respostas.

O encanto de Tatiana continua o mesmo, mas o interesse pelo desfecho da trama parece se esvair no meio dessa interminável conversa de Dyad, Prolethean e seus derivados.

“Mad Men”

No último domingo (19/4) -ou segunda para os assinantes da HBO Brasil-, foi ao ar o décimo episódio da derradeira temporada de “Mad Men”. Mais uma vez, o produto entregue foi quase uma hora de cinema, e não apenas televisão seriada comum.

“The Forecast” (a previsão) expõe um impasse na vida outrora considerada perfeita de Don Draper. Na pressa de vender seu apartamento, Don contrata uma corretora e pede que ela seja criativa e convença os possíveis compradores a usarem a imaginação: qualquer sonho pode ser realizado num lugar tão grande e vazio.

Mas a descrição da vendedora sobre o que ela vê naquela casa é quase visceral para nós que, bem ou mal, apegamo-nos fortemente ao publicitário. “Esse lugar fede a fracasso”, ela diz, “parece o lugar em que uma pessoa triste viveu”.

Será que foram sete anos para isso? Vimos Don conquistar tudo o que quis profissionalmente, ser o melhor naquilo que faz, à Wolverine, para acabar como um fracasso em todo o resto? Como filho, amigo, marido e pai; um fracasso?

Responsável por outras brilhantes cenas, Sally Draper finalmente amadureceu. Apesar da “casca” arredia que é quase sempre a faceta demonstrada pela menina, Sally dá indícios de que a fase da histeria adolescente está perto do fim. Cansada do charme quase cruel dos pais, ela quer o que todos nós queremos: encontrar-se.

Marco Faleiro é estudante de jornalismo e já tem mais de duas mil horas de seriados assistidos – [email protected]

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