Plim plim da discórdia – JOGO LIMPO com Rodrigo Czepak

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Plim plim da discórdia (Foto: Reprodução)
Plim plim da discórdia (Foto: Reprodução)

É notório o esforço da Rede Globo em propagar isenção na cobertura dos desdobramentos da Operação Lava Jato e demais delações premiadas. Mas na prática fica estampado o ressentimento profundo com Lula, Dilma e petistas em geral. A relação nunca foi boa em função da postura pró Collor da emissora na eleição de 1989. De lá pra cá houve uma tentativa de aproximação, em 2002, que durou poucos meses. PT e Globo são como água e óleo, não se misturam.

O escândalo do mensalão jogou mais água na fervura, mesmo não sendo capaz de interromper a trajetória vitoriosa da dupla Lula-Dilma. Hoje a Operação Lava Jato está sendo apontada como alternativa viável para a Rede Globo concretizar seu projeto de vingança contra o Partido dos Trabalhadores. “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, é uma frase que, embora cansativa e desgastada, ainda provoca calafrios nos corredores da Vênus Platinada.

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Editor-geral e apresentador do Jornal Nacional, referência do jornalismo global, William Bonner tem emitido frequentes sinais do clima de guerra deflagrado na emissora. Ao lado de Renata Vasconcelos, ele não disfarça a ironia ao relatar as acusações que envolvem os petistas. A mesma postura não é adotada quando políticos tucanos surgem no noticiário. Em que pese as flagrantes ilegalidades cometidas por filiados de PT, PSDB e até do PMDB, fica flagrante a má vontade da Globo com Lula e sua turma.

Isenção

O que se cobra do jornalismo da emissora carioca é isenção, análise imparcial dos fatos. O PT se desvirtuou ao longo dos últimos anos, isso é fato, mas não é a única cereja no bolo da corrupção brasileira. Está pagando caro pelos muitos erros cometidos, não sendo necessário pré-julgamento em rede nacional.

A frequente queda na audiência do Jornal Nacional não é por acaso. Trata-se de uma cobertura raivosa, estabelecendo parâmetros de imposição do que é certo ou errado segundo o padrão global. O xingatório do ex-presidente Lula não causa a repulsa que a Globo tenta repassar ao telespectador. E de nada adiantam as caras e bocas de Bonner e Renata.

Nova realidade

Resumindo: a cobertura jornalística da Globo tem abusado da informalidade no falar e no vestir, faltando agora suavizar a abordagem dos temas. O cidadão brasileiro está suficientemente informado para lapidar sua opinião sobre os fatos. O dicionário global precisa ser adaptado à nova realidade.

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