Ponte do Jardim América à Vila Alpes. Mais uma vítima da Delta

No local da antiga obra, apenas uma placa, supostamente fixada pela Delta, dizendo que é proibido a permanência de pessoas não autorizadas no local

Quem passa pela Avenida C-107, entre as ruas C-120 e C-190 no Jardim América, vê que a obra que deve dar origem a uma ponte sobre o Córrego Cascavel está novamente paralisada. A construção visa ligar o Bairro Jardim América à Vila Alpes com o objetivo de aprimorar o tráfego no chamado eixo T-8, a fim de aliviar o trânsito nas vias T-9 e T-7. A obra, no entanto, já dura mais de 20 anos e não há previsão de conclusão. Para os moradores da região, isso significa conviver mais tempo com o acúmulo de entulho e degradação da paisagem.

Segundo a Agência Municipal de Obras (Amob), que executa diariamente serviços de infraestrutura na capital, a construção da ponte está paralisada por conta da suspensão dos contratos municipais com a construtora Delta. A decisão do prefeito Paulo Garcia de suspender o acordo é devida à divulgação do nome de Carlos Abreu, ex-diretor da empresa, como integrante do esquema de Carlos Augusto Ramos, mais conhecido na mídia como Carlinhos Cachoeira.

A Amob alega que o contrato está apenas suspenso e que corre um processo legal pela rescisão do mesmo para que a obra seja relicitada. A população da região, no entanto, duvida ver a ponte construída em um futuro próximo. Quem mora próximo ao local já está acostumado a passar pela Avenida C-107 e ver os montes de terra que se acumulam no terreno atrás da placa que proíbe a entrada de pessoas não autorizadas no local.

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Reclamação

A obra chegou a ser iniciada na gestão do prefeito Iris Rezende

O economista Wilson Henrique Estival, 44, olha para o cenário que promete uma ponte que nunca é construída há 17 anos, tempo em que mora no local. Ele reclama que só existe movimentação para completar a obra em épocas de eleições. “Eu creio que essa obra é bastante mal planejada, mal programada”, afirma. “Alegam que a demora é por conta de imóveis que precisam ser desapropriados, mas 20 anos é bastante tempo”. Wilson Henrique cobra uma solução definitiva por parte da prefeitura de Goiânia.

Para a costureira Lucima Maria de Jesus Santana, 45, a conclusão da obra facilitaria a vida dos moradores. “Minha filha de 16 anos precisa caminhar 40 minutos todos os dias até o colégio e ainda fazer o trajeto de volta depois”, conta. Lucima aponta com o dedo a instituição de ensino em que a filha estuda. O colégio fica quase de frente à sua casa, mas do outro lado do Córrego Cascavel. Se a ponte entre os dois setores estivesse concluída, o trajeto até o colégio não levaria mais de 20 minutos.

Solange Guimarães Porto, 45, moradora da região há sete anos, destaca o problema do acúmulo de lixo no local das obras. “Eu não quero acreditar que seja a própria população aqui do bairro que joga esse lixo aí”, afirma. “Acredito que sejam pessoas de outras regiões de Goiânia que despejam o entulho que você está vendo”. Solange alerta para o perigo da existência de focos do mosquito da Aedes aegypti, transmissor da dengue.

Promessa

Ao ouvir a promessa do vereador Denício Trindade, representante da região na Câmara Municipal, de que pretende ver a obra finalizada em um tempo breve, Solange se cala e custa a acreditar. O vereador afirma que, assim que ocorrer a licitação de um novo contrato, cobrará a continuidade da obra junto ao prefeito de Goiânia e à Amob. “Minha função não é bem fiscalizar o processo dessa obra, mas cobrar constantemente”, afirma. Ele se diz consciente da importância da ponte para melhorar o trânsito e a vida dos moradores da região. “Com minha cobrança, eu acredito que no ano que vem já veremos essa obra finalizada”. A conferir

Maykol Vespucci