Procurador pede prisão de Sarney, Renan, Cunha e Jucá. Em Brasília o clima é de salve-se quem puder

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Sarney, Renan, Cunha e Jucá têm pedido de prisão em aberto (Foto: Reprodução)
Sarney, Renan, Cunha e Jucá têm pedido de prisão em aberto (Foto: Reprodução)

Brasília: salve-se quem puder!

O pedido de prisão da cúpula do Senado tem o poder de paralisar o Congresso, embaralhar o processo do impeachment e — no limite — levar a um impasse institucional. A temperatura da crise voltou a atingir o grau máximo de ebulição, como aconteceu na condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva, para citar um exemplo. Não existe uma solução boa para o governo de Michel Temer. Está em jogo também a credibilidade do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para dar sequência à Operação Lava Jato.

Blindagem (quase) intransponível

A análise objetiva do primeiro parágrafo, com a qual concordo plenamente, foi postada às 11h55 pelo jornalista Raymundo Costa do jornal “Valor Econômico”. Poucas horas depois do abalo sísmico envolvendo os pedidos de prisão dos senadores Renan Calheiros (presidente) e Romero Jucá, ex-presidente José Sarney e do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Os gabinetes refrigerados de Brasília ficaram atônitos: Renan, Jucá e Cunha já estavam na alça de mira, mas o octogenário Sarney desfrutava de uma blindagem até então intransponível.

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Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, cada qual ao seu modo, cumpriram o script da governabilidade e por isso foram bem avaliados / Foto: divulgação
Ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Divulgação)

Tucanos na fila de espera

Ao contrário do impasse institucional que por enquanto é uma incógnita, como bem frisou o articulista, a certeza ficou por conta do fim da seleta lista de intocáveis na capital federal. A condução coercitiva de Lula e o pedido de prisão de Sarney, mesmo que nada mais aconteça, representam motivos suficientes para que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro José Serra e os senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes percam noites de sono. Deputados federais e governadores, então, nem se fala. Petistas, peemedebistas e tucanos estão, literalmente, no mesmo barco.

Saudade do jogo combinado

Em Brasília o clima é de salve-se quem puder. Dilma luta por seu pescoço, Temer por um governo desfigurado e a classe política em geral para não seguir os passos de Dirceu, Delcídio e tantos outros que foram do céu ao inferno. Dia desses um parlamentar lamentou no cafezinho do  Senado: “Tenho saudade do tempo em que tudo era combinado nos bastidores. Havia sintonia entre os poderes. Hoje impera o medo, a desconfiança e a traição. A continuar desta forma, todos iremos para o fundo do poço”, desabafou o senador.

O futuro da Nação

Recheado de perplexidade e indignação, o comentário comprova o quanto os parlamentares estão perdidos no Congresso Nacional. Apenas uma minoria, composta essencialmente por novatos, comemora o fim dos conchavos, do jogo de cartas marcadas e da impunidade em meio a tantos escândalos que comprometem a economia nacional. Os tempos são outros. Só não vê quem não quer ou insiste na tese de que tudo voltará a ser como antes. O sol nascerá quadrado para muitos até que se tenha certeza sobre o futuro da Nação.

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