Prostitutas de Minas já usam cartão

cartaoParticularmente, acho grosseira a denominação para uma mulher, seja quem for. Puta, meretriz, biscate me parecem incompatíveis com a dignidade feminina. O eufemismo moderno “garota de programa” amenizou , embora restrinja, por discriminar pela idade.

De qualquer forma, Minas continua acentuando seus contrastes. Sua tradicional família, a mais conservadora do País, convive agora com este novo troféu: suas donzelas se apressaram como as primeiras a aceitar cartão de crédito em programas sexuais. Os bancos, como sempre, procuram facilitar a transação.

As diferenças no grande Estado começam no relevo: as montanhas de minérios, confrontam os cerrados e rios nas planícies. Políticos liberais e conservadores convivem desde o patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva até o talento de Juscelino Kubitschek de Oliveira e a matreirice de Tancredo Neves.

A poesia às vezes hermética de Carlos Drummond de Andrade encontra paralelo nos romances de João Guimarães Rosa, que ao lado de tantos outros, engrandecem a literatura brasileira, desde os árcades.

Visitando Portugal há poucos dias, fui com Mara Nei conhecer o monumental Santuário de Fátima. Durante a missa, quando os celebrantes saudavam as delegações de dezenas de países, os mineiros se destacavam entre os brasileiros.

Embora historicamente forte, o catolicismo não conseguiu reduzir a prostituição em Minas. Pelo visto só mesmo o bispo Edir Macedo e o pastor Silas Malafaia conseguirão conter seu avanço, agora facilitado com essa modernização pelos cartões de crédito.

 

José Elias Fernandes é jornalista, anistiado político, delegado aposentado. E-mail: [email protected]

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