Ratos na piscina – JOGO LIMPO com Rodrigo Czepak

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Vinte e oito anos depois a letra da música “O Tempo não Para” continua mais atual do que nunca. Por isso no dia em que o cantor e poeta Cazuza estaria completando 58 anos, se a Aids não o tivesse levado em 1990, nada como homenageá-lo relembrando uma canção que é a cara dos governos que pregam ética, isenção, modernidade e envelhecem com uma rapidez absurda.

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A “piscina cheia de ratos”, as “ideias que não correspondem aos fatos” e o “museu de grandes novidades” são expressões perfeitas para contrapor o discurso e a prática. Em 4min37seg, Cazuza e Arnaldo Brandão descarregam a metralhadora “cheia de mágoas” pra todo lado. Como o tempo não para, é muito fácil e corriqueiro ver o futuro repetir o passado na política.

Na década de 1980 Cazuza enxergava o país como um “puteiro”. Com todo respeito às profissionais do sexo, a comparação ficou desigual após tantos escândalos, operações e delações. Se vivo estivesse, o cantor carioca certamente estaria atônito com a quantidade de material belicoso para novas composições. A ausência de “Ideologia” transformou o Brasil num país “Exagerado”. E vamos continuar dormindo com um barulho desses. Sabe-se lá até quando.

“O Tempo não Para”

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não para, não, não para

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