Realidade da (in) segurança – JOGO LIMPO com Rodrigo Czepak

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Servidores da área da Segurança querem reajuste negado pelo governo estadual (Foto: Reprodução)
Servidores da área da Segurança querem reajuste negado pelo governo estadual (Foto: Reprodução)

Realidade da (in) segurança

Como o secretário de Segurança Pública Joaquim “Matemático” Mesquita compreende apenas a linguagem dos números, é necessário colocar um pouco de realidade das ruas no seu cérebro apurado. A quarta-feira “normal” na Região Metropolitana de Goiânia, segundo dados oficiais, foi assegurada por um efetivo de 866 policiais com 1.552 ocorrências, 6 flagrantes, 348 viaturas, 21 motos e 19 integrantes da cavalaria.

Dados impactantes, mas que não impressionam o quadro no Instituto Médico Legal (IML): 15 corpos estendidos em função de 11 homicídios (Goiânia e Aparecida), 1 latrocínio e 3 acidentes. E tem mais: 82 veículos roubados e furtados, além de uma queda de 90% no registro de ocorrências nas delegacias, segundo o Sindicato da Polícia Civil. Eis a frieza dos números que o “matemático” chefão da segurança em Goiás tenta ignorar.

Sequência de assaltos

E como nunca se dá por satisfeito, Joaquim Mesquita pode perder mais alguns minutos e conferir exemplos do que representou ontem a normalidade na vida do cidadão comum. Sequência de assaltos nos setores Bueno, Jardim América e Nova Suíça, incluindo roubo de veículo em frente ao Goiânia Shopping e a Della Express, da avenida T-4, fechando as portas mais cedo em função da insegurança.

Um funcionário de outra Della, o empório do Jardim América, foi assaltado e espancado quando chegava ao local de trabalho por volta das 4 horas da manhã. E a empresa Bolos do Cerrado, localizada na avenida T-9, também foi obrigada a encerrar o expediente uma hora mais cedo. Não restou outra alternativa ao proprietário em função da série de assaltos a clientes que saíam das agências bancárias nas proximidades.

Viatura da PM circulam sem rádio-comunicador (Foto; Divulgação MP-GO)
Viatura da PM circula sem rádio-comunicador (Foto; Divulgação MP-GO)

Viatura sem rádio

Vamos aos últimos fatos para arejar a cabeça do inflexível Joaquim Mesquita, o senhor de todas as estatísticas. Um policial, lotado na 9ª CIPM, pediu para não ser identificado e desabafou: “Não vamos abordar ninguém. Somos apenas figurantes e não iremos correr atrás de bandidos”. O rádio transmissor da viatura não funciona há cerca de um ano, isso mesmo, um ano. O veículo não tem comunicação alguma com o Copom e nem mesmo com outras viaturas.

Ou vai ou racha

O secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás necessita tomar uma atitude: ou deixa o ar condicionado e enfrenta a realidade da falta de estrutura na sua área ou volta imediatamente para o cômodo cargo de delegado da Polícia Federal. E não está se falando aqui das promessas de reajustes salariais assumidas pelo governador Marconi Perillo com o funcionalismo e agora descumpridas, após a reeleição.

A insatisfação é antiga e nada tem a ver com reivindicação salarial. Sensação de segurança, para os goianos, representa muito mais do que números e estatísticas. Não há solução para o combate à criminalidade sem prevenção e proteção realmente eficaz.

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