Socorristas do Samu induziam pacientes ao coma para garantir propina

Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Samu (Foto: Reprodução)
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Samu (Foto: Reprodução)

Na última terça-feira (21), o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de Goiás (MP/GO) deflagrou a operação S.O.S. Samu e os detalhes do esquema desarticulado chocaram a população goianiense.

O esquema criminoso ocorria desde 2014 e era operado por donos de UTIs particulares, socorristas do Samu e médicos reguladores. Eles fraudavam o encaminhamento de pacientes portadores de planos de saúde. Socorristas e médicos recebiam propina para direcionar os pacientes para os hospitais dos empresários envolvidos.

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O caso foi investigado por um ano e oito meses, o que resultou em 21 mandados de prisão temporária e 43 de busca e apreensão. Corrupção ativa e passiva ficou comprovada por meio de anotações, agendas, comprovantes de movimentações bancárias e confissões realizadas durante a fase de oitivas.

Denúncia

Foi um ex-servidor do Samu quem denunciou o esquema. “No decorrer da investigação, constatamos que quase todas as UTIs estavam pagando propina para receber irregularmente pacientes e, assim, manter a casa cheia”, disse o coordenador do Gaeco, promotor Luis Guilherme Gimenes.

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Estão presos enfermeiros, condutores socorristas, dois bombeiros, médicos, donos de UTIs e hospitais e um integrante da diretoria do Samu. Os socorristas, inclusive, ganhavam mais com a propina do que com o salário.

A falta de humanidade dos criminosos era tão grande, que pacientes chegaram a ser induzidos ao coma, com uso de medicamentos, para gerar a internação e o pagamento de propina.

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