“Silicon Valley” é comédia nerd de verdade – Coluna de Seriados

Coluna de Seriados

"Silicon Valley" vai ao ar aos domingos pela HBO Brasil (Foto: Divulgação)
“Silicon Valley” vai ao ar aos domingos pela HBO Brasil (Foto: Divulgação)

Comédia da HBO sobre a vida dos nerds da tecnologia no Vale do Silício, “Silicon Valley” já entregou sete episódios da segunda temporada. Sem a pressão por audiência dos outros canais, a responsável pelo maior hit da atualidade, “Game of Thrones”, pode se dar ao luxo de manter a comédia de nicho e, por vezes, sem graça na sua programação.

A série segue a linha tradicional de humor do canal fechado. Não há claquete de risadas e, mais importante, não há nem risada o tempo todo. As piadas são diluídas de forma mais orgânica ao longo do episódio e não há o didatismo ao qual fica acorrentada “Big Bang Theory”. Algumas referências ao mundo tecnológico são simplesmente jogadas no ar; coisa que não compromete a experiência do expectador médio, mas que intensifica a identificação do fãs fiéis.

Na primeira temporada, acompanhamos o desenvolvimento de uma ideia de nova tecnologia desde a concepção até a execução dentro de uma incubadora, processo corriqueiro no Vale. Pela novidade e estranheza daquilo tudo, o ano inicial acabou por cativar a audiência, realmente envolvida com aquela nada tradicional jornada do herói moderno, o exemplo máximo do “self made man” norte-americano.

A segunda temporada, apesar do excelente desfecho do finale anterior, deixa no ar muita preocupação. O roteiro é confuso e dá voltas em lugares comuns. Os personagens, tão peculiares e interessantes, agora são estanques e só reagem das mesmas maneiras e estímulos sempre iguais. Os novos obstáculos de cada semana parecem só prorrogar a inevitável escassez de criatividade a ser usada na evolução da história.

A crítica, aqui, não é um veredito de aversão à série. É mais um apelo. Perder “Silicon Valley” seria como estar novamente náufrago num oceano de comédias genéricas, iguais e didáticas. Ou pior: seria o fim de um bastião nerd na televisão, o que nos faria esquecer o lixo travestido de nerdice a que Chuck Lorre deu o nome da teoria de criação do universo.

Marco Faleiro é estudante de jornalismo e já tem mais de duas mil horas de seriados assistidos – [email protected]

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