Tocha pra baixo, Cunha pro ralo – Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Tocha Olímpica e deputado federal afastado Eduardo Cunha (Foto: Reprodução)
Tocha Olímpica e deputado federal afastado Eduardo Cunha (Foto: Reprodução)

Tocha pra baixo, Cunha pro ralo

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha era aguardada há meses. Demorou, mas saiu. Ele não tinha a menor condição política de permanecer na linha sucessória da presidência da República sendo investigado por uma quantidade sem fim de crimes contra o erário público. Simbolicamente, a batata de Cunha está assando na mesma fogueira utilizada para acender a tocha olímpica que percorre o país e hoje passa por Goiânia.

Realidade x ilusão

O paralelo é pertinente para ressaltar o quanto a decisão do STF ajuda o país a manter o foco na realidade, na necessidade de oxigenação dos agentes públicos. O brasileiro tem por hábito utilizar certas válvulas de escape para “descansar a cabeça” das tristezas e decepções que o noticiário da vida real lhe proporciona. E as competições esportivas estão entre as principais alternativas. Hoje, isso não é mais possível. A economia em frangalhos, os 11 milhões de desempregados e o declínio social não permitem que o cidadão se deixe iludir como no passado.

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Rio de problemas

A experiência negativa deixada pela organização da Copa do Mundo em 2014, tanto dentro como fora dos gramados, serve como parâmetro para que os Jogos Olímpicos sejam encarados com a naturalidade e a frieza necessárias. O que se vê, até o momento, são gastos públicos exorbitantes na tentativa de criar espírito olímpico nos municípios por onde a tocha já passou ou ainda vai passar. O Rio de Janeiro, sede do evento, padece de enorme penúria financeira, greve de servidores e atraso no cronograma das obras. Nem as ciclovias se salvam.

Lagoa Rodrigo de Freitas amanhece suja após dia chuvoso no Rio (Foto: Reprodução)
Lagoa Rodrigo de Freitas amanhece suja após dia chuvoso no Rio (Foto: Reprodução)

Cheiro de esgoto no ar

Ao verificar a “emoção das pessoas” no trajeto do símbolo olímpico lembre-se que a capital fluminense sequer foi capaz de despoluir a Lagoa Rodrigo de Freitas, local reservado para competições, mesmo com enorme prazo para realizar uma tarefa básica. O mesmo cheiro de esgoto, aliás, precisa permanecer no inconsciente coletivo quando se projeta o custo final das obras e o legado esportivo para crianças e adolescentes. Se os argumentos não forem suficientes, some-se a inoperância de uma nação que deseja dar exemplo ao mundo e não consegue garantir vacina contra gripe para o seu povo.

Brincadeira de mau gosto

O país está se livrando das aberrações políticas chamadas Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Cunha (PMDB). Isso já é um bom sinal. O poder fiscalizatório e a indignação com irregularidades crescem a olhos vistos. O fundamental agora é diminuir a influência da política do pão e do circo. Desnecessário dizer em que categoria os Jogos Olímpicos se enquadram quando a (ainda) presidente afirma que os brasileiros irão superar as edições realizadas até agora. Brincadeira de tremendo mau gosto.

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