Videogame Celular – Diversão compartilhada é diversão multiplicada

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diversão compartilhada
O desenvolvedor de games Adriaan de Jongh sempre busca a interagir com outros desenvolvedores e membros da indústria de games e, através de seus jogos, promover a interação entre as pessoas

Já perdi a conta de quantas vezes fui a uma estação de metrô, ou algo do gênero, e me vi cercado de pessoas sozinhas, cada uma absorta em seu próprio celular. Já perdi a conta de quantas vezes fui a barzinhos e vi mesas onde todas as pessoas estavam cada uma em seu celular. Já perdi a conta de quantas vezes fui a festas e vi grupinhos de pessoas cada uma em seu celular. Já perdi as contas até mesmo de quantas vezes vi casais de namorados frente a frente, em silêncio e cada um em seu celular. E tenho certeza de que você também já perdeu a conta.

Me lembro claramente de que, nos meus tempos de criança, todo mundo buscava ir aos fliperamas desafiar seus amigos ou testar suas habilidades enfrentando desconhecidos (prováveis futuros amigos). E quem tinha console sempre reunia a turma para passar a tarde jogando um campeonato de Superstar Soccer ou algo assim. Hoje em dia nem mesmo a molecada parece ter mais tempo (ou interesse) para reunir seus amigos para jogar juntos. Eles preferem fazê-lo exclusivamente através de partidas multiplayer online, apenas se comunicando por áudio e quando chega a tanto. Mais um dos inúmeros casos onde o cara a cara é deixado de lado pela comodidade da falsa sensação de companhia do contato virtual. O isolamento parece ser uma tendência natural e inevitável do século 21.

Mas tendência do século ou não, isso parece incomodar a um holandês cabeludo e magricelo chamado Adriaan de Jongh, desenvolvedor de games e líder do estúdio indie Game Oven. Comunicativo, ele é um cara que sempre busca a interagir com outros desenvolvedores e membros da indústria de games e, através de seus jogos, promover a interação entre as pessoas.

De forma quase que geral, o jogador usa um dispositivo de entrada (como controle, teclado, mouse ou touch screen) para interagir com o jogo controlando um personagem e, quando interage com outro jogador, é através da interação entre os personagens. É uma coisa indireta, há um muro de Berlin de zeros e uns entre as pessoas. O que os games do Adriaan fazem é ir além e fazer com que pessoas interajam diretamente. Mas que gênero permitiria tal coisa se que todos consistem em controlar algo ou alguém dentro do jogo? Aí que está o X da questão. Para o holandês, criar seus próprios gêneros é parte fundamental da diversão.

Isso fica muito claro analisando seus trabalhos:

Friendstrap

Genero: ?

É um jogo feito para quebrar o gelo entre pessoas que estão se conhecendo, ideal para primeiros encontros. Nele os dois jogadores colocam o dedo na tela e precisam conversar sobre os assuntos que são mostrados, que vão do non sense (como sacudir garrafa) ao constrangedor (como suas partes íntimas), passando por coisas engraçadas (como gases incontroláveis) e até coisas normais (como o carro que você vai comprar). O primeiro a retirar o dedo da tela perde. E o que a outra pessoa ganha? Não sei… Um beijo.

Bounden

Genero: ?

É um jogo onde duas pessoas também seguram o celular e mantém o dedo na tela, a diferença é que aqui os jogadores precisam conduzir um cursor por uma série de círculos usando o sensor de movimento do celular. Para isso é necessário fazer movimentos, baseados em danças reais, que conduzem os jogadores a uma espécie de balé cômico desajeitado. A não ser que você e seu (sua) parceiro (a) sejam bailarinos profissionais e ensaiem bastante.


Bam Fu

Genero: ?

Esse é o único jogo competitivo do Game Oven. Nele cada jogador tem uma cor e há diversos símbolos na tela que, quando são tocados, mudam de coloração. Vence aquele que colorir a maior parte dos símbolos e, para conseguir isso, vale tudo: usar todos os dedos, segurar a mão do adversário, deitar sobre a mesa, fazer as pessoas rirem, começar a gritar e só parar quando te deixarem ganhar… Só não vale deixar o celular/tablet cair no chão. Principalmente se for o meu.


Fingle

Genero: ?

Se Friedstrap e Bounden são meio que jogos irmãos, o mesmo pode se dizer de Bam Fu e Fingle. Ambos consistem em usar os dedos pela tela, mas nesse jogo é preciso se posicionar e fazer certos padrões bem sugestivos e, por vezes, erótico, ao som de uma trilha sonora sensual. É como se os dedinhos da Eliana, já crescidos, praticassem o Kama Sutra.

Certamente o inquieto e criativo Adriaan não vai parar por aí. É muito provável que, só entre o momento em que escrevi isso e a hora em que você leu, ele já tenha pensado em várias ideias e testado vários protótipos. Eu estou ansioso para ver que tipos mais de interações malucas seus próximos jogos vão exigir (e experimentá-las com meus amigos).

Nos dias atuais, as pessoas vêm se afastando cada vez mais, no entanto, assim como eu, tem bastante gente buscando retomar o contato pessoal. Não é a toa que jogos de tabuleiro estão se tornando cada vez mais populares. Graças a um cabeludo holandês, hoje podemos interagir um com o outro de forma divertida em qualquer lugar e a qualquer momento usando exatamente os mesmos dispositivos que as outras pessoas usam para se isolar: celulares e tablets.

Links para download:

Friendstrap [iOS (iPhone) – GRATUITO]

Friendstrap [Android – GRATUITO]

Bam Fu [iOS (universal) – $0,99]

Bam Fu Free [iOS (universal) – GRATUITO]

Bam Fu [Android – GRATUITO]

Fingle [iOS (iPad) – $2,99]

Fingle Free [iOS (iPad) – GRATUITO]

Bounden [iOS (iPhone) – $3,99]

Bounden [Android – Aproximadamente R$11]

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André Garcia é escritor, poeta, membro da Academia de Artes de Cabo Frio e gamer

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