Ano mágico do Flamengo esbarra na ferida aberta por um incêndio

Vencer o Liverpool é detalhe. Maior vitória do clube seria acordo com famílias dos garotos mortos em fevereiro

A nação rubro-negra – cerca de 42 milhões de brasileiros – sonha com uma vitória sobre o favorito Liverpool neste sábado, 21, para comemorar o ano mágico do Flamengo.

Campeão carioca, brasileiro, sulamericano e mundial. Nem o mais otimista dos torcedores apostaria neste cenário em 2019, repetindo desempenho de Zico e companhia há 38 anos.

Mas não existe perfeição na vida. A falta de sensibilidade dos dirigentes flamenguistas insiste em manter aberta uma ferida que mancha todas as conquistas no futebol.

Incêndio que vitimou jovens atletas ainda marca ano vitorioso do Flamengo no futebol | Foto: Montagem
Incêndio que vitimou jovens atletas ainda marca ano vitorioso do Flamengo no futebol | Foto: Montagem

10 meses após o incêndio no Ninho do Urubu, 6 das 10 famílias dos garotos que morreram no centro de treinamento ainda não entraram em acordo indenizatório com o clube.

“É como se eu estivesse colocando um preço na vida do meu filho. Não quero ficar milionária”, desabafa ao site UOL Andréia Oliveira, mãe do goleiro Christian, uma das vítimas fatais.

Palavra de conforto

Cada parte tem o seu juízo de valor. Flamengo paga R$ 5 mil por mês e mais despesas com tratamento psicológico e medicamentos. As famílias pleiteiam R$ 10 mil.

A disparidade se concentra mais no montante das indenizações. O Flamengo, enquanto dura a batalha judicial, opta por tratar os familiares como inimigos.

“Somos rubro-negros de coração. Falta atenção, uma palavra de conforto”, diz Cristiano Esmério, pai de Christian.

Ele cita uma simples atitude da Chapecoense como exemplo de consideração. “O clube catarinense construiu um monumento para as vítimas fatais do acidente aéreo”.

Meio bilhão

O Flamengo é, hoje, a principal marca no país do futebol. Sua receita apenas com premiações em 2019, até o momento, bate recorde: R$ 150 milhões.

O somatório de outras arrecadações faz a equipe carioca ultrapassar meio bilhão de reais.

As famílias das vítimas do Ninho do Urubu precisam voltar a ter orgulho do time que era a grande paixão dos seus garotos.

“Você vê a alegria de uns e só consegue sentir a sua própria tristeza”, declara Marília Barros, mãe do zagueiro Arthur.

Trazer os meninos de volta, impossível. Mas o Flamengo é grande o suficiente para virar uma página que entristece a história do clube.

Seria a maior conquista do ano, superando até mesmo a possível vitória contra o Liverpool no mundial de clubes.

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