Duro na queda, brasileiro sobrevive com R$ 413 mensais

Valor médio retrata o tamanho da desigualdade de renda no país, um patamar histórico e vergonhoso. Enquanto isso, classe rica recebe 40 vezes mais

O papel do economista é fazer análises, projeções de piora ou melhora dos indicadores.

O papel do cidadão comum é sentir na pele, e com os pés no chão, as variações do cenário.

Por isso impera o desânimo na maioria da sociedade quando especialistas começam a exagerar nas visões otimistas, ancoradas em oscilações pontuais.

O buraco negro na economia brasileira, basicamente construído ao longo dos últimos 6 anos, continua enorme e resistente.

Prova disso foi a desigualdade de renda ter atingido patamar histórico em 2018.

Metade dos brasileiros sobrevive com R$ 413 mensais, em média, enquanto a classe rica recebe 40 vezes mais.

Os dados são provenientes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, ferramenta do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Metade dos brasileiros sobrevive com R$ 413 mensais, em média, enquanto a classe rica recebe 40 vezes mais | Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Metade dos brasileiros sobrevive com R$ 413 mensais, em média, enquanto a classe rica recebe 40 vezes mais | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Discrepância

Traduzindo em miúdos: o vergonhoso fosso da desigualdade não para de crescer no país.

E até mesmo o sensível aumento no número de ofertas de empregos em quase todas as regiões revela a discrepância.

Com raras exceções, há dois tipos de oportunidade: o espaço básico do salário mínimo ou a vaga mais qualificada para quem possui nível superior (acima de R$ 4 mil).

As posições intermediárias no mercado de trabalho têm diminuído gradativamente. Um dos motivos para o aumento da distância entre os vencimentos e a consolidação da necessidade do “bico” como complemento da renda mensal.

Vacas magras

Reflexos da crescente desigualdade de renda podem ser detectados nas atividades mais comuns.

Desde a diminuição de mercadorias no carrinho do supermercado, passando pelo corte de despesas básicas, até o endividamento pela sobrevivência.

Fato: o nosso país está entre as 15 nações mais desiguais do planeta. O brasileiro, mesmo assim, é duro na queda e não perde o otimismo em dias melhores.

Metade da população, porém, não aceita discurso fantasioso de economista prevendo guinada a curto prazo. O tempo das vacas magras, do crescimento da desigualdade, ainda está longe de retroceder.

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