“Deixem o Marconi trabalhar!” – Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Marconi Perillo no papel de tocador de obras do Estado / Foto: Governo de Goiás
Marconi Perillo no papel de tocador de obras do Estado / Foto: Governo de Goiás

Apesar de ser tratado como tal e acreditar piamente na versão, Marconi Perillo não é Deus. Não está acima do bem e do mal em Goiás. Sua blindagem junto aos veículos de comunicação beira o ridículo. O governador deve e precisa dar explicações sobre temas como a Operação Compadrio, fato que coloca sob suspeita justamente a Agência de Transportes e Obras (Agetop), a mola propulsora do governo.

Imunidade ao governador

Escolhido como um dos porta-vozes de Marconi, o deputado federal Célio Silveira deixou claro ontem que a reeleição para o quarto mandato garantiu uma espécie de imunidade ao governador. Nas confusas palavras do parlamentar, desta feita em relação ao uso abusivo do helicóptero do Graer em 2014, há questões bem mais importantes para Vossa Excelência se preocupar. Faltou uma simples expressão para Célio Silveira atingir o ápice da tietagem na tribuna da Câmara dos Deputados: “Deixem o Marconi trabalhar!”

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Nos quatro cantos de Goiás e do Brasil ninguém duvida que Marconi Perillo é trabalhador, determinado e vitorioso politicamente. Vem dando sucessivas surras nos adversários políticos desde 1998 e seus governos recebem mais elogios do que críticas da população. Agora o governador não é unanimidade – nem Jesus Cristo foi, eis uma nova comparação religiosa – e muito menos comanda uma estrutura administrativa perfeita, infalível.

Ilegalidades e abusos estão sendo cometidos na administração estadual

As investigações do Ministério Público comprovam que ilegalidades e abusos estão sendo cometidos na administração estadual. O diretor de Obras Rodoviárias da Agetop, Marcos Musse, foi preso, conseguiu habeas corpus e depois pediu demissão. Presidente do órgão, Jayme Rincón, foi obrigado a cancelar audiência de esclarecimentos na Assembleia Legislativa por conta da segunda fase da Operação Compadrio. A salada indigesta ainda conta com laranjas, empresas fantasmas, além do repasse de quantias milionárias para obras de paisagismo grotesco e shows de qualidade duvidosa.

E mesmo diante do flagrante quadro de operações e interrogações, o governador sequer foi incomodado por repórteres durante longa entrevista coletiva hoje na PUC-GO. Todos com cara de paisagem. E não tiro a razão dos profissionais porque há determinação expressa dos superiores para que certos assuntos sejam deixados de lado. E sem retaguarda, sem responsável preocupado com o bom jornalismo nas redações, como obrigar um repórter a agir como boi de piranha?

Prazo de validade

O que Marconi Perillo esquece com frequência é que não existe poder eterno. As imunidades jornalística e de órgãos de fiscalização têm prazo de validade. O tempo passa e enferruja as estruturas de governo. E não é demérito para nenhum gestor admitir falhas e corrigir rumos. A não ser que realmente acredite ser Deus em meio aos pobres mortais.