Metástase no Ingoh coloca pulga na orelha dos doadores de sangue

Investigação policial constatou uso de material de baixa qualidade em tratamentos de pacientes com câncer

A sexta-feira, 13, amanheceu cinzenta. Combinou com a minha cara de poucos amigos, contrariado com os desdobramentos da Operação Metástase.

À princípio o mesmo enredo de outras ações policiais: suspeita de fraude em auditorias médicas no valor de R$ 50 milhões e apreensão de carros de luxo, aeronave e obras de arte.

Grupo Especial de Combate à Corrupção (Geccor) deflagrou na quinta-feira (12) a Operação Metástase | Foto: Divulgação / PCGO
Grupo Especial de Combate à Corrupção (Geccor) deflagrou na quinta-feira (12) a Operação Metástase | Foto: Divulgação / PCGO

A Justiça não acatou os pedidos de prisão envolvendo pessoas ligadas ao Ipasgo e ao Instituto Goiano de Oncologia e Hematologia (Ingoh), alvos da operação.

Longe de ser egoísta, a única imagem que me meio à cabeça foi a sala de doação de sangue do Ingoh, local que frequento regularmente desde o ano passado.

Aquele padrão de qualidade dos materiais utilizados por enfermeiros é real ou fruto de armação?

Pergunta inevitável de um doador orgulhoso, até então, pelo excelente atendimento e as instalações irretocáveis.

Morte de idoso

Entre as investigações da Operação Metástase, há indício da utilização de produtos de baixa qualidade durante o tratamento de pacientes com câncer.

Um idoso, segundo o secretário de Segurança Pública Rodney Miranda, teria morrido no Ingoh, em 2017, por falhas graves na aplicação de medicamentos e insumos hospitalares.

Como não ficar com a pulga atrás da orelha? As aparências enganam e, sem generalizar, a atenção e os cuidados prestados a um paciente com câncer deveriam, em tese, ser maiores do que os dispensados a um doador de sangue.

O pente fino da polícia sobre as auditorias médicas durou 6 meses. O Ingoh alega “total tranquilidade” e que está colaborando com as investigações.

Para contrapor suspeita de pagamento de propina a funcionários do Ipasgo, a direção da unidade de saúde garante ter “compromisso com a transparência e total interesse na restauração da verdade”.

Assim como eu, o Ingoh tem 50 anos de existência. Quero continuar realizando as 4 doações de sangue por ano no local e, desta forma, ajudar pessoas necessitadas.

Rodrigo Czepak na última de suas rotineiras doações de sangue | Foto: Arquivo Pessoal
Rodrigo Czepak na última de suas rotineiras doações de sangue | Foto: Arquivo Pessoal

Acredito ser este o mesmo desejo da maioria dos colaboradores, desde que não paire qualquer tipo de dúvida sobre os equipamentos utilizados no instituto.

Relação de confiança pode vergar, jamais quebrar.

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