Você já conhece a força das mulheres na política?

"Precisamos 'aprender' os meandros da política com os políticos, tendo, claro, a sensatez de separar o joio do trigo para não mergulhar no mar de lama da corrupção", escreve Patrícia Soares

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A participação das mulheres no cenário político ainda é muito pouco | Foto: Mídia ninja

*Por Patrícia Soares

Não convém, aqui, esmiuçar sobre as dificuldades e lutas históricas das mulheres pelo empoderamento.

Seria, por demais, enfadonho de minha parte, para não dizer chato, tecer comentários repetitivos sobre a luta feminista pela igualdade de gênero.

A intenção é mostrar, tão somente, a importância da mulher em participar do processo político.

Primeiro, é importante salientar, em letras garrafais, que a Constituição Federal expressa que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, sendo que a lei deve punir qualquer discriminação aos direitos e liberdade fundamentais.

Pois bem. Dentro desse contexto, faz-se necessário lembrar que desafios especiais merecem a união de força, visando desnudar a parcialidade existente no cenário brasileiro, sobretudo o político.

Mulheres na política

No Brasil, apesar da nossa Lei Maior (leia-se Constituição) pregar a igualdade, existe uma disparidade muito grande entre homens e mulheres quando o assunto é política.

Não precisamos nos esforçar muito para provar o contrário.

A título de exemplo podemos lembrar que, dos 513 deputados federais que fazem parte da atual legislatura da Câmara dos Deputados, apenas 15% são mulheres, ou seja, 77 vozes femininas. Esse número, nas últimas eleições, subiu de 51 para 77 deputadas.

Já no Senado, apenas 12 mulheres fazem parte da “bancada feminina” – representa 14,82%.

O Estado de Goiás, na atual legislatura, não possui nenhuma representante mulher no Senado – a última foi Lúcia Vânia.

Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil, em 2019, tinha uma população de 210,1 milhões.

Desse total, conforme dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), o número de mulheres era superior ao de homens – 51,7% contra 48,3% de homens.

Na cidade de Senador Canedo, onde tenho a honra de morar, criar meus filhos e desempenhar minha honrada profissão de professora, o cenário é ainda pior.

Nenhuma mulher compõe a atual legislatura – duas assumiram temporariamente como suplentes –, apesar do esforço de muitas em participar e ingressar na política.

Uma triste realidade!

Evolução

O mundo evolui. A transformação, desde os tempos rudimentares da civilização, faz parte da evolução das ideias, dos princípios, visando agregar valores em busca de uma sociedade próxima da igualitária.

E para se chegar a esse caminho é preciso pavimentar a estrada da conscientização social e do interesse pela política.

Daí a importância das mulheres de participar desse processo.

As mulheres, dentro de um contexto racional, não precisam enxergar o homem como um rival, como um adversário.

Pelo contrário.

Precisamos “aprender” os meandros da política com os políticos, tendo, claro, a sensatez de separar o joio do trigo para não mergulhar no mar de lama da corrupção.

As mulheres brasileiras vêm provando que são capazes. Quem duvida, basta pesquisar a evolução feminina nos últimos 50 anos.

Elas, hoje, são donas de si e, mesmo ainda discriminadas, superam obstáculos, provando que são guerreiras e não meras serviçais, como “cabeças ocas” acreditam.

Ainda há mulheres que ainda não descobriram sua força, sua inspiração pela política.

Isso precisa – e deve – mudar. Como bem disse Hillary Clinton:

“O desafio é a prática política como a arte de fazer o que parece ser impossível possível”.

Recentemente, o ministro Dias Toffoli, presidente do STF, com sapiência, assim analisou a situação da mulher na política:

“O número significativo de mulheres que se candidatam na política, aumentou em menos de 20 anos, mas o número ainda é insignificativo em decorrência dos partidos políticos que recorrerem a manobras, lançando candidatas mulheres só para preencher as vagas e cumprirem as cotas”.

Uma triste realidade que precisa mudar.

*Patrícia Soares é professora no município de Senador Canedo (GO)

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Patrícia Soares | Foto: Arquivo Pessoal

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