Por Nathalia Leandra Ribeiro*

Devido à pandemia gerada de Covid-19, estamos todos, de alguma forma, vivenciando a quarentena.

Para aqueles que possuem filhos, esta situação inédita tem sido, muitas vezes, um desafio.

Não ter o suporte da escola e/ou atividades extras têm feito com que os pais reestruturem a rotina com seus filhos.

Os pais podem aproveitar este momento, em que a presença física está mais intensa, e ajudar a desenvolver em seus filhos o cérebro que diz sim – termo criado por Daniel Siegel e Tina Bryson para descrever um cérebro com maior equilíbrio emocional.

Um cérebro emocionalmente equilibrado ou um Cérebro Que Diz Sim é composto por 4 características:

  1. equilíbrio;
  2. resiliência;
  3. percepção;
  4. e empatia.

A quarentena pode ser uma aliada ao desenvolvimento desses 4 fundamentos, pois é através da interação parental equilibrada que isso florescerá.

Equilíbrio

Para desenvolver o 1º fundamento do Cérebro Que Diz Sim, o equilíbrio, os pais precisam imaginar uma divisão de tempo diária em 7 partes, sendo elas:

  • tempo de concentração;
  • tempo de brincar;
  • tempo de relacionamento;
  • tempo de exercício físico;
  • tempo interior;
  • tempo de devanear;
  • e tempo de dormir.

Além de equilibrar a interação pais-filhos, os pais precisam ser presentes, porém, ser presente não significa ser um “pai helicóptero”.

Seguindo e respeitando o equilíbrio, os pais contribuirão nas conexões de seus filhos nas diferentes atividades mentais que eles são capazes de fazer.

Resiliência

O 2º fundamento é a resiliência, que significa conseguir recuperar o controle da situação, por mais desfavorável que seja.

O papel dos pais no desenvolvimento desta característica é oferecer às crianças uma ligação segura, na qual elas se sentirão seguras e protegidas, principalmente nos momentos que estão entrando em um estado de descontrole emocional.

Uma segunda estratégia, consiste em ensinar aos filhos a capacidade de “visão mental”, que significa a capacidade de perceber e compreender a mente – nossa e dos outros.

É através da visão mental que as crianças terão capacidade de evitar serem vítimas de suas emoções e das circunstâncias.

Elas se sentirão prontas para enfrentar qualquer desafio.

Percepção

Percepção é o 3º fundamento do cérebro emocionalmente equilibrado.

Ser perceptivo é conseguir olhar para dentro de si e se entender, e então usar o que aprendeu para controlar melhor suas emoções e circunstâncias.

Os pais podem contribuir para a efetivação dessa ação ensinando seus filhos a perceber seus sinais corporais em um momento de descontrole e a praticarem uma pausa antes de agirem.

Essa pausa fará com que a criança escolha “ser mais sábio possível” naquele momento, com menos estresse e mais felicidade para eles mesmos e para as pessoas de suas vidas.

Empatia

O último fundamento a ser apresentado é a empatia. Ser empático é sentir com outro ou sentir a experiência do outro e preocupar-se com o que ele está enfrentando.

Os pais, ao ativarem o sistema de engajamento social do cérebro das crianças, irão prepará-las para ver situações através da lente da empatia percebendo e captando os sinais verbais e não verbais do outro.

A empatia é internalizada pelas crianças quando seus pais estão verdadeiramente com elas, interessando-se por seus sentimentos.

Outra forma de exemplificar este fundamento aos filhos é através da preocupação com algum amigo/familiar/conhecido que esteja sofrendo com o isolamento nesta quarentena.

Colocar os filhos para pensarem em uma forma de diminuir a solidão dessa pessoa, através de um cartão (deixem que a criança escolha as cores, adesivos, mensagem etc.) é uma simples e rica forma de desenvolver a empatia.

Mesclando esses 4 fundamentos, os pais poderão guiar seus filhos na construção de capacidades que lhes permitirão interagir com seu interior e consequentemente com o mundo exterior.

Atingindo sucesso em seu desenvolvimento humano recebendo novos desafios e oportunidades sem aversão, valorizando a curiosidade e a aventura, emergindo das adversidades com sabedoria e olhando para o outro com compaixão.

Por que não utilizar este momento em que a interação parental está mais intensa e colocar esses fundamentos em prática?

Os resultados de um cérebro emocionalmente equilibrado são gigantescos e importantíssimo para uma vida emocional estruturada.

*Nathalia Leandra Ribeiro é formada em Letras e em Pedagogia. Atuou como professora por mais de 8 anos como educadora infantil em Aparecida de Goiânia e na capital. Atualmente, mora no exterior e está se preparando para iniciar seu mestrado.

Nathalia Leandra Ribeiro
Nathalia Leandra Ribeiro | Foto: Arquivo pessoal

 

 

 

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