Polícia corre atrás de bandido. E a imprensa atrás da verdade

O jornalismo não está do lado do bandido. Mas pontos obscuros nas investigações precisam ser esclarecidos. Doa a quem doer

Alguém precisa explicar à cúpula da segurança pública em Goiás que a imprensa não tem nada contra a ação da polícia – ostensiva e investigativa.

Assim como a grande maioria da sociedade civil organizada, os veículos de comunicação reconhecem o esforço das Polícias Civil e Militar no árduo combate à criminalidade.

Isso não impede, entretanto, que existam questionamentos sobre determinadas abordagens.

Folha Z reforçou ponto de interrogação sobre o estranho silêncio envolvendo a morte do soldado Walisson Miranda, ocorrida há 40 dias.

“O Popular”, na mesma direção, destacou indignação e dúvidas sobre o suposto envolvimento do motorista de aplicativo Fábio Júnior Oliveira em confronto com PM’s.

Já cobri a área policial e sei que uma simples pergunta é encarada pelo comandante da operação como insulto à sua conduta ética.

Pontos obscuros, na verdade, precisam ser esclarecidos. Doa a quem doer.

Imprensa busca esclarecer ocorrências envolvendo motorista de app e soldado da PM | Foto: Reprodução
Imprensa busca esclarecer ocorrências envolvendo motorista de app e soldado da PM | Foto: Reprodução

Dúvidas

Os questionamentos da mãe do soldado Walisson, Anísia Miranda, são pertinentes e merecem resposta à altura do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia. Nenhum suspeito até agora.

Maysia Jacinto, viúva de Fábio Júnior, também levantou dúvidas a respeito da demora da polícia em avisar sobre a morte do marido, mesmo portando documentos, e o sumiço do aparelho celular.

Questões básicas, nada ofensivo ou que desmereça a função da autoridade policial.

Comandante do Batalhão de Choque da PM, major Murilo Rodrigues disse que “ele [Fábio Júnior] não era menino bom como estão falando. Todos do grupo [quatro integrantes] mexiam com coisa errada”.

Essa versão somente será confirmada pelas provas e depoimentos a serem colhidos até o fim da investigação.

Enquanto isso, me atrevo a recomendar doses de maracugina às autoridades da área de segurança pública no Estado.

A imprensa não está ao lado de bandido e contra a polícia.

A função primordial do jornalista é ouvir todos os lados envolvidos no caso.

Mesmo que isso resulte em nariz torcido e críticas veladas de policiais à cobertura dos fatos.

Em todas as áreas existe o bom e o mau profissional. Evitar generalizações é o caminho da boa convivência.

Homicídio do soldado Walisson desperta dúvidas sobre polícias


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