Derrotado no passado, Iris soube articular retorno. E Marconi?

Ex-governador do PSDB é hoje um líder à distância, conselheiro por contato telefônico

Rodrigo Czepak Folha Z

Derrotado em 2 eleições consecutivas (1998 e 2002), Iris Rezende sacudiu a poeira e assumiu o comando do MDB em Goiás.

Visitou dezenas de municípios tendo como única companhia o então secretário do partido, Kid Neto. O veículo utilizado era um Santana 2000.

Marconi Perillo e Iris Rezende | Foto: Reprodução
Marconi Perillo e Iris Rezende | Foto: Reprodução

Mesmo visivelmente incomodado, Iris não tinha outra saída a não ser ouvir o desabafo dos companheiros.

Panelinha, salto alto e amadorismo eram as expressões mais brandas disparadas em discursos e entrevistas.

O caldeirão chamado MDB produzia crises diárias e o número de filiados derretia.

A crise só não foi maior porque Iris, mesmo fragilizado, segurou as pontas até ser eleito prefeito de Goiânia em 2004.

Uma vitória que tirou o partido do buraco negro em que se encontrava.

Caldeirão tucano

O atual sinônimo de caldeirão político em Goiás atende pelo nome de PSDB. Seus filiados perderam o rumo após o fiasco eleitoral de 2018 e as intermináveis denúncias de corrupção.

E o que tem feito o ex-governador Marconi Perillo, maior expressão do tucanato nas 2 últimas décadas? Criou a figura do líder à distância.

Ao fixar residência na capital paulista, Perillo se transformou no conselheiro por contato telefônico e protagonista de visitas camufladas em Goiânia e algumas cidades do interior.

As 36 ações a que responde na Justiça tiraram até mesmo o apetite que Marconi nutria pelas redes sociais. A última postagem, segundo a Folha Z, ocorreu em janeiro de 2019.

Redes socias de Marconi Perillo não são atualizadas há 1 ano

Algo inimaginável para um homem público que sempre alardeou modernidade e transparência em sua trajetória política.

Assim como Iris Rezende, Marconi Perillo desfruta de um capital político bem avaliado por milhares de goianos. Engana-se quem o enxerga aniquilado eleitoralmente.

Resta saber se o ex-governador tucano está disposto a dar a cara à tapa. Enfrentar as críticas de panelinha entre seus companheiros, frear debandada de filiados e assumir as rédeas do partido.

É na adversidade que se conhece o tamanho de um líder.

Redes socias de Marconi Perillo não são atualizadas há 1 ano


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