O Folha Z obteve informações exclusivas sobre a prisão em flagrante de um diretor da Câmara de Aparecida e a filha dele, acusados de grampear o celular de outra servidora do órgão.

Gilmar Oliveira Freitas e Kamilla Silva Oliveira foram presos no dia 26 de setembro. A informação, porém, só chegou à reportagem em dezembro.

Os suspeitos acabaram liberados após pagamento de fiança e seguem investigados.

Gilmar Oliveira Freitas é diretor administrativo da Câmara de Aparecida, onde foi admitido em 1989 | Foto: Arquivo Pessoal
Gilmar Oliveira Freitas é diretor administrativo da Câmara de Aparecida, onde foi admitido em 1989 | Foto: Arquivo Pessoal

Polícia

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De acordo com o titular da 3ª Delegacia Distrital de Polícia (DDP) de Aparecida, Divino Batista dos Santos, uma denúncia levou o caso à sua atenção.

Deslocada até o endereço dos acusados, a equipe de polícia constatou que o celular de Kamilla vinha sendo usado para monitorar as conversas da servidora.

Em seguida, a dupla foi presa em flagrante e o aparelho foi apreendido para análise do Instituto de Criminalística.

O caso

Segundo as investigações, Gilmar contratou a servidora da limpeza da Câmara para realizar serviços particulares durante sua licença prêmio.

Durante três meses, a mulher trabalhou na cozinha de uma escola de ensino fundamental, localizada no Jardim Belo Horizonte, de propriedade do diretor em Aparecida.

Os problemas teriam começado quando Gilmar passou a pressionar a servidora a revelar o teor de conversas entre ela e a ex-esposa do diretor, que a vítima havia conhecido no local de trabalho.

Com as negativas, Gilmar teria se irritado e planejado grampear o celular da mulher.

Mas o crime só teria sido colocado em prática posteriormente, no dia em que a servidora pediu ajuda à filha de Gilmar, Kamilla, em uma consulta a dados bancários.

A servidora, então, entregou o aparelho desbloqueado à mulher e, segundo aponta a investigação, esse seria o momento em que foi realizado o grampo.

Dias depois, pessoas próximas relataram à servidora comentários que Gilmar estaria fazendo a seu respeito.

3ª Delegacia Distrital de Polícia (DDP) de Aparecida de Goiânia | Foto: Reprodução
3ª Delegacia Distrital de Polícia (DDP) de Aparecida de Goiânia | Foto: Reprodução

Suspeitando que ele teria acesso às suas conversas do aplicativo WhatsApp, devido ao teor pessoal dos comentários, ela se deslocou até a delegacia.

Lá, uma perícia preliminar constatou que um dispositivo de grampo fora instalado no aparelho.

Segundo a polícia, o indício foi confirmado em análise ao celular de Kamilla.

Acusação

De acordo com os autos do processo, Gilmar e Kamilla foram detidos pela suposta prática do crime previsto pelo Artigo 10 da Lei 9.296/96:

“Realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei”.

A pena prevista para essa conduta é de dois a quatro anos de reclusão e multa.

Transparência

Em análise aos dados do Portal da Transparência da Câmara de Aparecida de Goiânia, é possível constatar que Gilmar Oliveira Freitas ocupa o cargo de Diretor Administrativo na Casa.

Ele foi admitido ao serviço público em janeiro de 1989 e, hoje, recebe salário bruto de R$ 5.769,76.

Consulta a processo no site do Tribunal de Justiça de Goiás dá detalhes sobre prisão em flagrante de diretor da Câmara investigado por grampo telefônico | Foto: Reprodução / TJGO
Consulta a processo no site do Tribunal de Justiça de Goiás dá detalhes sobre prisão em flagrante de diretor da Câmara investigado por grampo telefônico | Foto: Reprodução / TJGO

O outro lado

O Folha Z entrou em contato com Gilmar Oliveira Freitas por telefone.

Em uma primeira conversa, o diretor marcou um encontro com a reportagem em seu escritório na Câmara.

Gilmar, porém, não compareceu na data marcada e afirmou que havia se esquecido de uma consulta médica agendada para aquele mesmo horário.

Posteriormente, também por telefone, o diretor negou as acusações e disse que não faria mais comentários a respeito do caso.

Câmara de Aparecida

Já a assessoria da Câmara de Aparecida relatou à reportagem que a Casa aguardará o trânsito em julgado do processo antes de realizar qualquer posicionamento.

O órgão, no entanto, ressaltou que dá assistência à servidora e assegurará todas as suas garantias.

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