Você se lembra de algum representante aparecidense com destaque na administração estadual em tempos recentes?

Eu aposto que a resposta foi negativa. E já conto por quê.

A Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia ainda não conseguiu vencer a pecha de Legislativo de cidade interiorana.

A Casa continua dependente da Prefeitura: um verdadeiro puxadinho da administração municipal.

Quem acompanha os (poucos) trabalhos nas sessões, percebe se tratar de uma Câmara que fiscaliza muito pouco, não tem autonomia e não representa o desejo do povo.

Para não ser injusto, há alguns raros casos de vereadores mais ousados que questionam o Poder Executivo.

E as consequências dessa impotência são graves.

Secretários vs Vereadores

Para os leitores do Folha Z, ficou claro nas últimas semanas o atrito entre vereadores aparecidenses e secretários do prefeito Gustavo Mendanha (MDB).

No fim das contas, o que pode ser concluído é que os auxiliares têm mais poder que os vereadores.

Enquanto, no resto do mundo, tem-se uma equivalência entre os poderes, em Aparecida a situação é diferente.

Na hierarquia política da cidade, aparece o prefeito no topo. Depois, os seus secretários. E só em terceiro entram os vereadores.

Isso ocorre porque a Câmara de Aparecida é ultrapassada, a maior parte dos debates não levam a lugar nenhum.

Lá, há muitas “briguinhas” entre vereadores, além de contratos obscuros, sem transparência.

A Casa, muitas vezes, parece até um picadeiro de circo.

Quem frequenta o órgão diariamente conhece bem essa realidade.

É por isso que a Casa não é respeitada pelos aparecidenses e os secretários, não escolhidos pelo voto, têm mais força do que os vereadores.

Exemplo de sessão vazia na Câmara de Aparecida de Goiânia | Foto: Folha Z
Exemplo de sessão vazia na Câmara de Aparecida de Goiânia | Foto tirada nesta quarta-feira, 12, pelo Jornalismo Folha Z

Representação estadual

Para se ter uma ideia, um dos mais bem-sucedidos aparecidenses com representação no governo estadual é o presidente do PSDB municipal, Chico Abreu.

Ele era vice-presidente da Companhia de Desenvolvimento do Estado de Goiás (Codego) até assumir a presidência depois da prisão do titular, Júlio Vaz.

E o que representa a indicação para a vice? No meu entendimento, nada!

Essa irrelevância faz Aparecida não ter um destaque proporcional ao tamanho da sua população, a segunda maior do Estado.

Na representação estadual, Goiânia, obviamente, lidera.

A segunda posição, no entanto, fica com Anápolis, que tinha até recentemente o secretário de Desenvolvimento Leandro Ribeiro, vereador da cidade

Na sequência, disputam a posição Itumbiara, Rio Verde e Aparecida.

Convenhamos, faz sentido que a segunda maior cidade do Estado não tenha nenhum representante na Assembleia Legislativa?

Você não leu errado: Aparecida não elegeu ninguém para a próxima legislatura.

Em compensação, Anápolis elegeu dois: Amiltinho, do Solidariedade, teve 16 mil votos; Coronel Odair, do PP, teve 11 mil.

E Aparecida? Continua sem o protagonismo que merece o seu povo, batalhador e dinâmico.

LEIA MAIS: Vou ao MP se for preciso, diz vereador de Aparecida sobre secretário


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