Thiago Albernaz e Defensoria vão à Justiça por vagas em CMEIs

Vereador Thiago Albernaz (PSDB) participa de audiência sobre falta de vagas em CMEIs (Foto: Divulgação)
Vereador Thiago Albernaz (PSDB) participa de audiência sobre falta de vagas em CMEIs (Foto: Divulgação)

Foi realizada na última sexta-feira (19/2) audiência pública para discutir soluções para o déficit de vagas em CMEIs. A iniciativa foi do vereador Thiago Albernaz (PSDB), em parceria com a Defensoria Pública do Estado. Apenas neste ano, a Defensoria já foi procurada por mais de 200 pais que não conseguem realizar a matrícula de seus filhos na educação infantil municipal por meio do sistema disponibilizado pela Prefeitura de Goiânia.

“Registramos mais de 30 solicitações de vagas em CMEIs em nosso gabinete só este ano e, ao reunir 12 conselheiros tutelares e os defensores públicos, percebemos que a situação é muito pior do que imaginávamos”, disse Albernaz.

Na reunião, ficou decidido, entre outras medidas, que a Câmara Municipal vai solicitar a reformulação de acordo entre a prefeitura e o Ministério Público. Além disso, será exigida a divulgação integral das filas de espera de vagas em cada CMEIs e Câmara e Defensoria vão recorrer à Justiça para garantir vagas a todas as crianças.

Na reunião, o defensor público da infância e da juventude Tiago Gregório Fernandes explicou que, ao ser informado pelos pais sobre o problema, o órgão entra com um mandado de segurança na Justiça exigindo a vaga para que a criança possa estudar. “A situação é contraditória. Os pais não conseguem a vaga no sistema de matrícula, mas quando entramos na Justiça, a vaga aparece. Esse processo pode levar até seis meses”, afirmou Gregório.

Defensoria Pública e conselheiros tutelares participaram da reunião (Foto: Divulgação)
Defensoria Pública e conselheiros tutelares participaram da reunião (Foto: Divulgação)

Demanda

O vereador Thiago Albernaz explicou que com a audiência pretende-se ampliar o debate e colher material para buscar solução ainda neste semestre. De acordo com Albernaz, será solicitada uma audiência com o Ministério Público do Estado de Goiás que o órgão explique sobre o termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado com o município, que garantiu em 2013 a criação de 10.080 vagas em educação infantil nos cinco anos seguintes.

“Ficou claro nesta audiência pública que o TAC em vigência não atende a demanda de Goiânia. Ou seja, vamos propor ajuste desse TAC em caráter emergencial. Além disso, vou solicitar audiência com a secretária de Educação que foi convidada para a audiência pública e não compareceu. Esteve ausente na Câmara e está ausente na vida dessas crianças que estão sob seus cuidas enquanto autoridade”, disse Thiago Albernaz.

Segundo o vereador, a Câmara entrará também com uma ação popular para pressionar o prefeito a criar novas vagas em CMEIs. Caso a vaga realmente não exista, será proposto que o município pague a despesa de uma instituição particular para essas crianças que não foram absorvidas pelo sistema público.

Mães também apoiaram a iniciativa (Foto: Divulgação)
Mães também apoiaram a iniciativa (Foto: Divulgação)

Mães

Conselheiros tutelares de todas as regiões de Goiânia também participaram da audiência pública. Eles expuseram as dificuldades enfrentadas para fazer a matrícula e falta de transparência do sistema. “Ninguém sabe como funciona a fila de espera. Os pais não sabem se o filho é o próximo quando a vaga surgir, ou se ainda vai demorar muito”, disse Valdivino Silveira.

Muitas mães também estiveram na Sala das Comissões da Câmara para participar das discussões sobre o assunto. Virginia Ferreira, 31 anos, trabalha em um Cmei, mas não consegue vaga para a própria filha de um ano. “As matrículas estão sendo feitas, mas muitas crianças não frequentam. É difícil ir trabalhar todos os dias, cuidar de crianças e a minha filha não ter a mesma oportunidade”, disse Virginia.

LEIA MAIS: Estudantes têm até hoje para aderir à lista de espera do ProUni

Outro caso é o de Edilane Souza Ferreira, 30 anos. Ela trabalha como auxiliar de serviços gerais e tem renda mensal de R$ 1 mil. “Minha mãe cuida do meu filho, mas ela vai se mudar para o interior no início do próximo mês. Preciso da vaga com urgência porque não posso deixar de trabalhar. Uma babá custa cerca de R$ 400 e eu não posso comprometer quase metade da minha renda com isso. Tenho outros compromissos”, lamentou Edilane.

Comentários do Facebook