'Não tenho nem mesa', reclama vereador empossado

Elias Júnior cobrou respeito de colegas na Câmara de Aparecida de Goiânia

Vereador Elias Alves na Câmara de Aparecida de Goiânia | Foto: Reprodução
Vereador Elias Alves na Câmara de Aparecida de Goiânia | Foto: Reprodução

Na última terça-feira, 16, o vereador empossado Elias Alves da Silva, o Elias Júnior (PDT), participou de sua primeira sessão ordinária, após recondução à cadeira de vereador, na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia.

A determinação judicial foi cumprida na última sexta-feira, 12.

O vereador empossado segue, desde março deste ano, em uma disputa com o vereador Valdemir Souto (PR) pela vaga na Casa.

A decisão de recondução foi proferida pelo Juiz da 132º Zona Eleitoral, Hamilton Gomes Carneiro.

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Durante a sessão, Elias Junior pediu a palavra para pronunciar ao que ele se refere como “desabafo”.

“A decisão chegou aqui dia 3 de outubro e a recondução só foi feita na sexta-feira, 12. Fico muito entristecido porque a recondução do TSE é imediata. Não precisava de oficial de Justiça, a notificação hoje é via e-mail. Não tenho nada contra Vilmar Mariano (MDB), só quero que ele cumpra [a decisão]”, disse o vereador reconduzido.

“Se eu vou ou não ficar, quem me colocou aqui foi Deus. Meu compromisso é com Deus de fazer a coisa correta acontecer. No meu posicionamento, se ele [Valdemir] estiver no direito dele, vou respeitar. Mas se eu tiver no meu direito, eu quero que seja cumprido.”

Desabafo

Magoado, Elias Júnior criticou a demora em reintegrá-lo completamente ao corpo legislativo da Casa.

“Se você for olhar o gabinete, me falaram que eu não poderia entrar, porque as coisas do vereador antigo estão ainda lá. Eu não tenho nem mesa para sentar. Quem me colocou aqui foi a Justiça, mas de fato não estou exercendo, porque nem gabinete eu tenho. Eu quero respeito, da mesma forma que o senhor [Vilmarzin] trata nosso nobre colega, que eu respeito muito apesar de ele ter sido cassado em 3 processos (que a gente já sabe)”, pronunciou.

“A decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não sei se ele vai conseguir liminar, porque eu não tenho o dinheiro que ele tem. Mas eu estou aqui para trabalhar pelo povo de Aparecida e vou trabalhar em prol da nossa cidade. Essas eleições mostraram que não adianta só ter dinheiro, como vi muitos vereadores apoiando o ex-governador Marconi Perillo, que se decepcionou muito nessas eleições por motivos conhecidos por nós. Quem vai responder por cada um de nós é o povo lá fora. Se você não trabalhar em prol da população, pode ser político com PHD , mas não estará nessa casa”, falou Elias Júnior.

O vereador José Alves de Oliveira, Meinha (PSDC) tentou conter o desabafo do colega.

“Tenha mais humildade. Vamos vir com consciência e coração limpo. O senhor magoou muitos vereadores aqui. Esqueça o ódio, esqueça o passado e venha com mais humildade”, aconselhou.

O presidente da Casa, Vilmarzin, alvo das críticas do parlamentar, preferiu não comentar os ataques.

O Caso

Valdemir Souto teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO) após ser acusado de práticas de abuso de poder econômico e religioso, bem como captação e gastos ilícitos de recursos e captação ilícita de sufrágio em março deste ano.

O parlamentar teria coagido fiéis de sua igreja a votarem em seu favor, ao utilizar o púlpito como palco de campanha. Conseguiu retornar à cadeira após ter um mandado de segurança expedido pelo TRE.

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