Vereadores visitam terminal de surpresa e se surpreendem com o caos

Vereadores integrantes de comissão do transporte fazem visita ao Terminal Novo Mundo nesta sexta, 23 | Foto: Alberto Maia/Câmara de GoiâniaVereadores da Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Transporte Coletivo da Câmara de Goiânia fizeram uma visita surpresa a um terminal de ônibus da cidade na manhã desta sexta-feira, 23.

Clécio Alves(PMDB), Anselmo Pereira (PSDB), Paulo Daher (DEM) e Vinícius Cirqueira (PROS) foram até o Terminal Novo Mundo para verificar as condições no local, administrado pela Metrobus.

Foi a segunda visita realizada pela comissão. Porém, segundo os parlamentares, na visita pré-agendada ao Terminal Padre Pelágio, a Metrobus “maquiou” a situação, de forma que não houve filas nas plataformas e nem atraso nas viagens.

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Problemas

No Novo Mundo, os vereadores verificaram in loco as principais queixas dos usuários, que são superlotação dos veículos, desorganização nas plataformas de embarque, demora dos ônibus e falta de segurança e limpeza nos locais de embarque e sanitários.

O vereador Clécio contou que ao chegar ao terminal foi intimidado pelo chefe do terminal que não queria permitir a entrada dos parlamentares para fiscalizar o local. “Se fazem isso com um vereador de Goiânia e presidente da CEI, imagina com o passageiro comum”, reclamou.

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Passageiros informaram aos parlamentares sobre a demora dos ônibus, especialmente nos finais de semana, quando os usuários ficam até uma hora e meia esperando por ônibus lotados. Outra denúncia foi sobre a dificuldade de comprar viagens: as máquinas muitas vezes não aceitam os cartões e, para comprar o sitpass, os funcionários exigem que as notas sejam novas.

Relator da CEI, Anselmo Pereira falou das bancas comerciais que estão tomando o lugar onde deveria haver bancos para que os idosos e deficientes possam sentar para aguardar o ônibus. “Houve uma mudança e deturpação da finalidade dos terminais com a comercialização sendo colocada em primeiro plano”. Ele defendeu que haja uma mudança de comportamento para que se dê “preferência para quem vai pegar o ônibus e não para a atividade comercial”.

Paulo Daher comparou com a visita que fizeram no Padre Pelagio, que foi pré-agendada e por isso encontraram naquela ocasião um terminal limpo, com seguranças, com organizadores de filas e com banheiros higienizados, até mesmo com sabonete líquido e papel higiênico, e ônibus suficientes para atender aos passageiros.

Já Vinícius Cirqueira observou que, no momento em que chegaram ao terminal, havia dezenas de passageiros nas filas aguardando, situação que mudou pouco tempo após a chegada da comissão.

Visita ao sindicato

Após a visita, os vereadores decidiram de surpresa visitar o Sindicato das Empresas de Transporte (Set, antigo Setransp). Foram recebidos pelo presidente Décio Caetano Filho e pelo vice, Adriano de Oliveira, que relataram dificuldades econômicas, especialmente pela falta de repasse do poder público dos percentuais de gratuidade.

Décio afirmou que apesar de o valor das tarifas estar defasado, o sindicato não defende o aumento, mas sim o subsídio governamental. Segundo disse, apenas 5% dos 25% são entregues, pois o Estado de Goiás está ressarcindo apenas o que é gasto com o Passe Estudantil. “Temos ainda nas gratuidades os idosos, deficientes físicos e crianças”, contou Adriano.

Metrobus

O vereador Anselmo elogiou os terminais administrados pela Set e questionou o fato de os terminais e plataformas da Metrobus estarem caóticos. Décio explicou que a Metrobus passou a integrar o sindicato no final de 2016 e estava aguardando as tratativas do VLT. Agora que o novo sistema não será mais implantado na Avenida Anhanguera, eles deverão realizar reformas e adequações nos seus terminais.

“É preciso trabalhar a quatro mãos para resolver os problemas do transporte que as pessoas que pagam antes de utilizar merecem por direito. Vamos buscar ajuda do prefeito de Goiânia, de Aparecida e do governador”, afirmou Clécio.

Ele obteve apoio de Anselmo à proposta de que o Set deve apresentar reivindicações junto ao poder público para que promova uma forma de subsidiar a passagem e não mais diluir as gratuidades no valor dos demais usuários, o que hoje está em torno de 30% do preço. (Com informações da Câmara de Goiânia).

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