Aécio Neves: cheiro nada bom para o “mineirinho”

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Delação de Marcelo Odebrecht envolve senador Aécio Neves na Operação Lava Jato | Foto: Reprodução
Delação de Marcelo Odebrecht envolve senador Aécio Neves na Operação Lava Jato | Foto: Reprodução

É indiscutível a má vontade de grande parte da magistratura tupiniquim, mas a Operação Lava Jato está batendo à porta do diretório do PSDB e vai arrastar com ela o senador Aécio Neves, presidente nacional da legenda. Segundo depoimento de Marcelo Odebrecht, delator e ex-presidente da empresa, o “mineirinho” teria lhe pedido R$ 15 milhões na campanha eleitoral de 2014, justamente o valor registrado na planilha do Departamento de Propina. Até então coadjuvantes do lamaçal que tomou conta do país desde o início das investigações, os tucanos já se preparam para estrelar papéis de protagonistas ao lado de estrelas do PT e do PMDB.

Relação íntima e sólida

Os bastidores do poder em Brasília apenas esperavam pela confirmação daquilo que já era conhecido: a então suposta participação do PSDB no caixa 2 das três esferas de campanha eleitoral desde 1994 – federal, estadual e municipal. Se o apetite financeiro do Partido dos Trabalhadores (PT) superou todas as expectativas a partir da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, potencializado pelos ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci, a relação entre Odebrecht e os tucanos sempre foi íntima e sólida. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os ex-candidatos José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves não mediram esforços neste sentido.

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Culpa no cartório

Embora ainda pisando em ovos em relação à cúpula tucana, o aguardado depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começa a corrigir o rumo histórico dos responsáveis diretos pelo desvio bilionário de recursos públicos no país. Se PT e PMDB têm culpa no cartório e estão pagando por isso, pra citar somente os partidos mais expressivos e que comandaram o país, o PSDB tentava, a todo custo, manter-se distante do lamaçal. O registro na planilha do Departamento de Propina – R$ 15 milhões para o “mineirinho” entre 07/10 e 23/12 de 2014 – sepultam os argumentos tucanos de lisura e recebimento de doações conforme determina a legislação eleitoral.

Sucesso do momento

Se o sistema eleitoral vinha sendo conduzido de forma utópica e viciada (e ainda não é possível dizer se o comportamento mudou pra melhor nos pleitos de 2014 e 2016), o único desejo neste momento é que todos os agentes eleitorais sejam investigados e arquem com suas responsabilidades, indistintamente. Chegou a vez da cúpula nacional do PSDB dançar conforme o sucesso do momento, justamente aquele que não deixa ninguém parado na prisão, ops, no salão.

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