Câmara pode trocar turbulência por ação concreta

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Câmara Municipal de Goiânia | Foto: Divulgação
Câmara Municipal de Goiânia | Foto: Divulgação

A Câmara Municipal de Goiânia tem vivido dias tão turbulentos que o minuto de silêncio desta quarta-feira (22) em homenagem à garota Ana Carla, 6 anos, brutalmente assassinada na periferia da capital, representou a única trégua entre os vereadores desde o início da nova legislatura, há 20 dias. Já rolou de tudo no plenário: denúncia relacionada a gastos exorbitantes da gestão passada, troca de acusações sobre o contraventor Carlinhos Cachoeira, servidoras vítimas de assédio sexual e até mesmo trabalho em ritmo de sauna por causa de problemas operacionais no ar condicionado.

Procura-se um líder

E a perspectiva é que a temperatura fique ainda mais elevada caso não surja uma alma parlamentar com respeito e liderança para apaziguar os ânimos. Vereadores experientes como Anselmo Pereira (PSDB), Clécio Alves (PMDB) e Elias Vaz (PSB) parecem perdidos diante da inexperiência do presidente Andrey Azeredo (PMDB), do fenômeno midiático chamado Jorge Kajuru (PRP) e da ausência de interlocução com o Paço Municipal. Partir pra cima da gestão do prefeito Iris Rezende seria o caminho natural, mas o enfrentamento antecipado ainda sofre resistência na Casa.

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Casa sem trincheiras

Fato: a Câmara de Goiânia sempre foi pautada por debates acalorados e divergências que chegam às vias de fato. A diferença, desta vez, corresponde à inédita constatação de não haver trincheiras definidas entre situação e oposição. A indiferença de Iris Rezende no atendimento aos interesses básicos dos vereadores tem incentivado briga por espaço na tribuna, mídia tradicional e redes sociais. Todos querem denunciar, fiscalizar e ninguém se dá ao trabalho de defender a administração municipal. Sem contraponto, conflitos e vaidades ficam potencializados.

Lavagem de roupa suja

Como o prefeito já anunciou que nada vai mudar na relação com a Câmara Municipal antes que a atual administração complete 120 dias, o período de turbulência deve esquentar ainda mais no decorrer dos meses de março e abril. A não ser que os parlamentares consigam parar com a lavagem de roupa suja no plenário.

Recursos não faltam

A retomada de uma ação nos moldes do projeto “Câmara Itinerante”, garantindo prestação de serviços gratuitos aos cidadãos de Goiânia, representaria um contraponto ao momento de estagnação administrativa da capital. É histórica a sobra mensal na utilização dos recursos do duodécimo. Para isso basta aplicá-los e não devolvê-los à Prefeitura de Goiânia com pompa e circunstância no final da legislatura. Mãos à obra, nobres vereadores!

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