A carne é fraca, mesmo sendo picanha Friboi

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

"A carne é fraca, mesmo sendo picanha Friboi" | Foto: Reprodução
“A carne é fraca, mesmo sendo picanha Friboi” | Foto: Reprodução

Todo-poderoso da JBS, um dos símbolos do império da carne no planeta, o empresário Joesley Batista finalmente admitiu que está com medo de ser preso. As últimas operações da Polícia Federal, a reviravolta no comportamento do ex-ministro Antônio Palocci (Fazenda) e as revelações de colegas magnatas do mundo empresarial acenderam a luz vermelha no túnel do chefão de marcas consagradas como Friboi e Seara. Joesley teria avançado, segundo a coluna Painel da Folha de S. Paulo, nas negociações para um acordo de delação premiada. Suas informações são  tratadas em Brasília como nitroglicerina pura, com potencial para comprometer dezenas de protagonistas no Executivo, Legislativo e Judiciário.

Nada acontece por acaso. O tamanho da ascensão da JBS nos últimos anos é diretamente proporcional à prioridade recebida pelo grupo em todas as esferas de poder. Especial destaque aos generosos empréstimos  concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento  (BNDES). Joesley Batista confessou a pessoas próximas, em sua casa nos Estados Unidos, que o cerco se fechou de tal forma que não lhe resta outra alternativa, ou seja, jogar luz nos bastidores das negociações. O empresário trata alguns interlocutores como amigos. Só o tempo irá dizer quantos deles são realmente confiáveis, afinal tudo muda com a chegada da algema e da tornozeleira eletrônica. Choque de realidade para a família Batista, repetindo o mesmo enredo já experimentado pelo clã Odebrecht, além de Eike Batista.

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A força da palavra blindagem deixou de existir com o avanço da Lava Jato e operações complementares. Hoje reina a fase do “salve-se quem puder”, deixando vulnerável o telhado de empresários, políticos e magistrados. Joesley Batista acreditou que seria possível resistir ao vendaval das investigações em nome da força econômica do Grupo JBS, responsável por milhares de empregos diretos e indiretos em todo o país. Errou a aposta. Pode sobrar até para o atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles, ex-assessor econômico do conglomerado de empresas. Como se vê, o buraco é bem mais fundo. E a escavação vai ganhar outra dinâmica com a delação premiada de Joesley Batista. Para desespero daqueles que um dia acreditaram em outra palavra: impunidade.

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