É dos fantasmas que a Assembleia gosta mais

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Entre os fantasmas da Alego, servidora ficou famosa ao correr de repórter em 2015 | Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Entre os fantasmas da Alego, servidora ficou famosa ao correr de repórter em 2015 | Foto: Reprodução/TV Anhanguera

É dos fantasmas que a Assembleia gosta mais

Novo presidente da Assembleia Legislativa, José Vitti (PSDB) repetiu ontem na solenidade de posse uma das mais surradas frases que se tem notícia: “Vamos legislar em benefício do povo, defendendo os seus interesses nesta Casa”. No mesmo dia o Ministério Público, por intermédio do promotor Fernando Krebs, protocolou ação por improbidade administrativa contra Helder Valin, ex-deputado e hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE); Sérgio Cardoso, secretário extraordinário de Articulação Política; e Cilene Guimarães (PP), ex-deputada estadual. O motivo é o de sempre: proteção a fantasminhas (nada legais) no poder legislativo.

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720 mil em bens bloqueados

O alvo em questão é uma ex-prefeita da cidade de Panamá – a tucana Maria Lucimar Faustina de Abreu – mas poderia acontecer com qualquer cidadão agraciado pela prerrogativa da boa convivência política: empresário, líder religioso, parente de magistrado, jornalista… E por aí vai. A ação revela que Maria Lucimar recebeu indevidamente mais de R$ 180 mil entre abril de 2009 e setembro de 2015 até o momento em que foi excluída da folha de pagamento do Estado por abandono de cargo. Ela e os outros três acusados podem ter seus bens bloqueados em R$ 720 mil, valor atualizado com as multas pertinentes.

Sucessão de casos

O caso da então servidora efetiva, ex-prefeita, tucana e frequentadora da cozinha do poder não difere de tantos outros já divulgados. Alguém é capaz de afirmar, com segurança, que a ampla divulgação do episódio envolvendo o padre Luiz Augusto, fantasma na Assembleia Legislativa por mais de 20 anos e também exonerado, foi suficiente para inibir o surgimento de outras irregularidades semelhantes? Muito provavelmente não. Míopes, certos deputados – é necessário evitar generalização – optam por desafiar o bom senso da sociedade civil com acomodações políticas que não se justificam.

Promotores sem trégua

O beneficiado simplesmente recebe sem nunca aparecer no local de trabalho. No máximo uma rápida visita durante recadastramento ou quando a imprensa aperta a fiscalização após os famosos escândalos de repercussão nacional. Passado algum tempo, tudo volta ao “normal”. O presidente de plantão declarando que “o povo é prioridade” e os arranjos correndo soltos nos bastidores. Exatamente por isso o Ministério Público não tem um minuto de trégua, investigando as dezenas de denúncias que chegam aos promotores, anônimas ou públicas. Poderia ser diferente, com mais senso público e menos apadrinhamento, entretanto não é. O tentador “jeitinho” continua assombrando o Legislativo goiano.

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