Itumbiara clama pelo fim do teatro político

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

Momento em que o atirador baleia o cabo da PM Vanilson João Pereira, que trabalhava como segurança do candidato a prefeito de Itumbiara José Gomes
Momento em que o atirador baleia o cabo da PM Vanilson João Pereira, que trabalhava como segurança do candidato a prefeito de Itumbiara José Gomes

Itumbiara clama pelo fim do teatro político

Fato de maior repercussão no país quando o tema é eleição municipal de 2016 – ao lado da fulminante vitória do tucano João Doria em São Paulo – o assassinato do prefeitável José Gomes da Rocha (PTB) completará um mês na próxima semana. E até o momento sem nenhuma posição oficial da cúpula da Secretaria de Segurança Pública para o ocorrido, mesmo com as reais evidências correndo de boca em boca em Itumbiara.

A parte esclarecida da população, desde o primeiro tiro, ignorou qualquer motivação política para o ato irracional praticado pelo servidor público Gilberto Amaral. Mas a ordem era alimentar suposta desavença eleitoral, principalmente pelo fato do vice-governador e secretário de segurança pública, José Eliton, ter sido baleado e transferido para Goiânia. Principal adversário de Zé Gomes, o deputado Álvaro Guimarães (PR) foi friamente atirado na fogueira do oportunismo político.

Deputado Álvaro Guimarães (PR)
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“Eles terão de dar a versão verdadeira”

Álvaro Guimarães desabafou ao repórter Rubens Salomão do Jornal O Hoje: “Infelizmente, a cúpula da Segurança Pública, no calor da emoção, disse que poderia ter motivação política. Na realidade eles já sabem que isso não aconteceu. Eu acompanhei o trabalho. Eles terão de dar a versão que é a verdadeira. Só espero que seja mais depressa e que a polícia tenha mais eficiência nesse trabalho, porque não só eu, mas todos em Goiás continuamos intranquilos com essa situação”.

Mesmo pisando em ovos para não deixar evidente sua mágoa e revolta com o tratamento recebido desde o brutal atentado que causou duas mortes e deixou três feridos com gravidade, o deputado da base governista ainda tenta se reerguer por completo. Sabe que não será tarefa fácil. O mesmo acontece com os familiares de Gilberto Amaral, ansiosos para que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos.

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A força-tarefa para esclarecer as circunstâncias da morte de Zé Gomes reúne 15 delegados e dezenas de agentes. O mínimo que se esperava era uma investigação rápida e objetiva, a não ser que outros fatos ampliassem a abrangência do trabalho. Como nenhuma informação oficial foi repassada à opinião pública até o momento, imperam suposições e a angústia dos envolvidos. A sucessão municipal de 2016 será concluída no próximo dia 30 em Goiânia e Anápolis, únicas cidades onde ocorre o segundo turno, mas não terá sua página virada em Itumbiara até que as forças policiais acabem, de uma vez, com o teatro político forjado a partir de desavenças pessoais entre Zé Gomes e Gilberto Amaral.

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