O adeus melancólico do goleiro Harlei

Jogo Limpo com Rodrigo Czepak

A imagem que fica é a de um Harlei isolado com o celular no ouvido, amigo do todo-poderoso Hailé, mas distante, muito distante da comissão técnica e dos jogadores / Foto: reprodução TV Anhanguera
A imagem que fica é a de um Harlei isolado com o celular no ouvido, amigo do todo-poderoso Hailé, mas distante, muito distante da comissão técnica e dos jogadores / Foto: reprodução TV Anhanguera

Não se trata de um personagem qualquer. Dezesseis anos de Goiás Esporte Clube merecem respeito e consideração. Os quase mil jogos defendendo as cores do time esmeraldino transformaram o ex-goleiro Harlei numa espécie de herói-bandido, responsável pelo despertar das sensações mais antagônicas no coração do torcedor. Os adjetivos, dependendo do resultado em campo, sempre oscilavam entre santo milagreiro, frangueiro e rei paneleiro.

Errou nas contratações, abusou da arrogância e comprovou a fama de desagregador de elencos

Nada anormal no mundo do futebol se não fosse a triste opção de Harlei ao assumir, em 2015, a função de dirigente do Goiás. Sem qualquer qualificação e experiência, diga-se de passagem. O ex-goleiro queimou os últimos cartuchos que lhe restavam. Errou nas contratações, abusou da arrogância e comprovou a fama de desagregador de elencos. Contribuiu de forma decisiva para o rebaixamento do clube à Série B quando poderia ter se preservado, buscado a capacitação profissional necessária.

Independente da história de conquistas no clube – em sua imensa maioria regionais – a imagem que fica é a de um Harlei isolado com o celular no ouvido, amigo do todo-poderoso Hailé, mas distante, muito distante da comissão técnica e dos jogadores. Argumento sempre enfatizado pelos técnicos Cuca e Enderson Moreira, os desafetos mais famosos do ex-goleiro.

Resumindo: ninguém jamais conseguirá manchar a história de Harlei como jogador, entretanto a sua última impressão no Goiás reafirma a fama de um mero serviçal da família Pinheiro.

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