Paulinho abraça Thiago Silva. Família Tite é coração

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Paulinho e Thiago Silva | Foto: Marcelo Del Pozo
Paulinho e Thiago Silva | Foto: Marcelo Del Pozo

A goleada inquestionável no tradicional estádio do eterno rival e a campanha histórica nas eliminatórias – sete vitórias seguidas e passaporte carimbado para a Copa da Rússia/2018 – são aspectos que menos importam na seleção “grande família” do técnico Tite. Sucesso no futebol é construído por detalhes. O meia Paulinho, nome do jogo e amuleto do treinador desde os tempos de Corinthians, marcou o golaço de empate contra o Uruguai e correu apontando o dedo em direção ao reserva Thiago Silva. O zagueiro é uma espécie de xodó do grupo, um ex-capitão que virou símbolo de derrotas trágicas.

Semblante sereno

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É visível que os jogadores se gostam, se respeitam e blindam a principal estrela da companhia – Neymar – e o companheiro mais fragilizado do momento. Mérito total do paizão Tite, profissional que dispensa elogios por zelar, na mesma intensidade, dos atletas milionários e dos auxiliares operacionais que integram a delegação. O resultado não poderia ser outro: harmonia dentro e fora de campo. O semblante sereno e determinado dos jogadores, mesmo em momentos de grande adversidade, proporciona ao torcedor brasileiro a garantia de redução na propabilidade de que vexames do passado voltem a acontecer.

Homens de confiança

A seleção brasileira de Tite está invicta, mas será derrotada a qualquer momento. E o bom é que ninguém perde o sono por isso. O ambiente leve e a convicção no futebol apresentado são mais importantes do que uma campanha cem por cento. Os meias Paulinho e Renato Augusto, além do zagueiro Miranda, são homens de confiança do treinador e têm feito a diferença. Os reservas aplaudem os companheiros e admiram, sem qualquer recalque, o momento ímpar da equipe titular. E ontem ninguém lembrou de Gabriel Jesus, a revelação que se recupera de cirurgia.

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Única ameaça é a CBF

Como diz o colunista Juca Kfouri (Folha/Uol), a mais séria ameaça ao bom momento vivido pela seleção é o currículo perverso dos cartolas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Se nada fizerem para atrapalhar o planejamento e a autonomia da comissão técnica, os meninos de Tite podem brilhar em 2018. O fato da equipe não disputar a Copa das Confederações é um bom presságio. Sua conquista tem por tradição encobrir defeitos que depois se revelam na Copa do Mundo. O trabalho e o universo conspiram a favor de Tite.

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