Nada escapa à política. Judiciário que o diga

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Missão da presidente Cármen Lúcia de estancar a crise no judiciário é política | Foto: Reprodução
Missão da presidente Cármen Lúcia de estancar a crise no judiciário é política | Foto: Reprodução

Enquanto a opinião pública se preocupa em apontar um vencedor para o duelo Lula x Moro em Curitiba, o alarme de incêndio do Supremo Tribunal Federal (STF) não para de tocar. A ponto da presidente, Cármen Lúcia, chamar para si a responsabilidade de controlar as chamas disparadas entre os ministros. De forma reservada, um deles resgatou ao jornal “O Globo” a famosa frase do saudoso Ulysses Guimarães para definir o ambiente no STF: “Em política, até a raiva é combinada”.

Fardo das indicações

Eis o ponto em que todos concordam. Mas apenas nos bastidores. A missão da presidente Cármen Lúcia de estancar a crise no judiciário é política, evitando que a solicitação de impedimento do ministro Gilmar Mendes seja levada ao plenário. Até os colegas que não morrem de amores por ele, concordam com a medida. Tudo em nome da preservação das aparências, da frágil harmonia de um poder que se proclama técnico, imparcial, entretanto ajoelha diante do fardo das indicações políticas em sua composição.

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Edição e repercussão

Se a mineirinha Cármen – protagonista de uma excelente entrevista ao jornalista Pedro Bial – está se virando para colocar panos quentes na disputa do momento, envolvendo Gilmar Mendes, Edson Fachin e Rodrigo Janot, soa no mínimo estranho certos posicionamentos críticos à contaminação política no interrogatório do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. Como se fosse possível não haver enfrentamento. Perguntas e respostas recheadas de mensagens cifradas sobre o cenário eleitoral de 2018, cada qual preocupado com a edição e repercussão das imagens e palavras.

Defesa de interesses

Hipocrisia é a palavra que melhor define o cenário, tanto em Brasília como Curitiba. Todo mundo respirando política 24 horas e defendendo, com unhas e dentes, o interesse do grupo partidário com o qual mais se identifica. Como bem declarou Ulysses Guimarães no passado, a raiva combinada faz parte do universo político. Os protagonistas no Supremo Tribunal Federal e na Justiça do Paraná, porém, estão perdendo o controle, justamente no momento crucial para os destinos do país.

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