Rombo deixado por Paulo Garcia chega a R$ 600 milhões e Iris pede paciência

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Atual prefeito Iris Rezende acusa rombo deixado pelo seu antecessor, Paulo Garcia | Foto: Reprodução
Atual prefeito Iris Rezende acusa rombo deixado pelo seu antecessor, Paulo Garcia | Foto: Reprodução

Trambolho chamado Prefeitura de Goiânia

Iris Rezende foi hoje à Câmara Municipal tapar mais um buraco deixado pelo seu antecessor Paulo Garcia: prestação de contas referente ao último quadrimestre de 2016. Indignado com o rombo nos cofres públicos – cerca de R$ 600 milhões – pediu “paciência, compreensão e sentimento de pátria” aos vereadores. Ao comentar a paralisação do BRT Norte-Sul, nome eloquente para um novo eixão ligando Aparecida de Goiânia à região noroeste da capital, o prefeito se referiu à obra como um legítimo “trambolho de concreto”.

Muitos desmandos

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Aproveitando o gancho da expressão utilizada por Iris Rezende, juntamente com as informações prestadas aos parlamentares, também é correto afirmar que a Prefeitura de Goiânia foi transformada num imenso e ingovernável trambolho. O chefe do Executivo pediu atenção especial aos desmandos na Comurg e no Imas, mas a lista poderia incluir facilmente as secretarias de Saúde e Educação, Agências do Meio Ambiente, Trânsito e assim por diante. Pesa contra Iris, entretanto, a obrigação de “domar um monstro” que ele ajudou a criar, afinal secretários e vereadores do PMDB respaldaram a administração petista entre abril de 2010 a dezembro de 2016.

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Cortina de fumaça

O carnaval se aproxima e até agora o prefeito alega não ter a exata dimensão do rombo nas contas públicas. Promove a chamada cortina de fumaça para ganhar tempo. Mas o cidadão goianiense não é bobo, por isso cobra a tão propalada agilidade do gestor com quase 60 anos de vida pública. Aquela experiência para resolver em horas problemas que seus adversários demorariam dias ou meses. Fica praticamente impossível justificar o tamanho do buraco sem promover o mínimo enxugamento da máquina administrativa, muito menos diminuir as nomeações de aliados políticos e parentes de magistrados.

Cadê o pragmatismo?    

A paciência pedida por Iris tem lá seus fundamentos, afinal ele não dispõe de uma varinha mágica para resolver, de uma só vez, tantos estragos potencializados em seis anos. Mas é preciso dar um passo no caminho da definição de prioridades, uma das marcas do gestor peemedebista ao longo de décadas.

A prestação de contas na Câmara Municipal pelo menos serviu para o prefeito anunciar a retomada dos mutirões nos bairros após o término do período chuvoso. Um programa com elevado respaldo popular. Além disso, a expectativa agora é pelo fim do chororô em relação ao passado. Ou Iris Rezende vira, definitivamente, a página do capítulo Paulo Garcia ou será atropelado pelo trambolho chamado Prefeitura de Goiânia.

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