“E o salário do juiz, não aumenta?”, diz Lewandowisk

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Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowisk | Foto: Reprodução
Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowisk | Foto: Reprodução

“E o salário do juiz, não aumenta?”

O ministro (quase humorista) Ricardo Lewandowisk merece respeito. Mesmo quando o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) tenta justificar o injustificável: “Condomínio aumenta, IPTU aumenta, a gasolina aumenta, o supermercado aumenta…e o salário do juiz, não aumenta? E reivindicar é feio? É antissocial isso? Absolutamente, não”. Todo esse contorcionismo verbal foi necessário para que Lewandowisk reafirmasse aos juízes, durante abertura do Encontro Nacional de Magistrados Estaduais, que eles “não deveriam ter vergonha em reivindicar reajustes salariais”.

Ignorando a crise

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Um desavisado que passasse pelas suntuosas instalações da reunião em Porto Seguro (BA) certamente faria uma contribuição financeira espontânea para a quitação das despesas pessoais dos magistrados. O choro é livre, ninguém discute, mas não desce na garganta do cidadão comum uma categoria profissional alegar aumento do custo de vida quando seus vencimentos giram em torno de R$ 30 mil, sem contar auxílios e complementos salariais. A miopia se estende à classe política e outros setores privilegiados do poder público, todos indiferentes à crise econômica que assola o país.

Supersalários

Seria utópico imaginar o ministro Ricardo Lewandowisk defendendo redução no contracheque dos magistrados, mas pelo menos o congelamento era recomendável até que os eixos financeiros voltassem a ficar sólidos. Em tese, esse deveria ser o comportamento dos chefes dos poderes no Brasil: Michel Temer (Executivo), Rodrigo Maia e Renan Calheiros (Congresso Nacional) e Cármen Lúcia (Judiciário). Na prática, o que se vê é a ampliação dos supersalários com efeito cascata nas esferas estadual e municipal. Crise? Essa palavra não existe no dicionário do poder público.

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Realidades distintas

Enquanto os magistrados “perdem o sono” com a elevação dos preços da gasolina e dos produtos no supermercado, milhões de brasileiros estão indo à pé ou de bicicleta ao trabalho para economizar o dinheiro do ônibus. Outros milhões deixam de fazer uma das refeições no decorrer do dia para que o salário dure até o final do mês. Desconfiômetro, definitivamente, é um aparelho que não encontra voltagem adequada para ser ligado em ambientes paradisíacos do litoral nordestino.

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